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Após registrar alta de 4,3% no volume de vendas em julho sobre um ano antes, o varejo brasileiro pode assumir protagonismo na retomada econômica, visto que outros setores continuam patinando. A dúvida no horizonte, porém, recai sobre a sustentação desses estímulos no longo prazo.

“O resultado pelo setor do varejo no mês de julho mostra algo muito positivo, tendo em vista que outros setores estão apresentando evolução perto de zero. Esse cenário deve ganhar maior força com os impulsos do segundo semestre, como por exemplo a liberação de recursos do FGTS [Fundo de Garantia por Tempo de Serviço] e a chegada de importantes datas comemorativas”, argumentou o coordenador da sondagem do comércio do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Rodolpho Tobler.

De acordo com o especialista, tendo em vista que a economia como um todo está emitindo “tímidos” sinais de recuperação, a tendência é que a população brasileira comece a consumir mais produtos de necessidade básica. “Os níveis de desemprego ainda são expressivos, mas a queda gradual da taxa de desocupação é fundamental para o resultado desses estímulos ao consumo. Mesmo que a informalidade seja grande, pelo menos essa parcela da população está assalariada”, afirmou ele, lembrando que os segmentos de bens duráveis podem sentir também uma alta na demanda com a melhora gradual da renda.

Tobler explica que o varejo apresenta potencial para puxar a retomada econômica, porém esse movimento deve se dar no curto prazo e não é “sustentável” no longo prazo – que precisa de reformas estruturais no âmbito macroeconômico.

“Os efeitos desses estímulos pontuais não devem perdurar por muito tempo. Eles devem estar acompanhados de compromissos em relação ao controle fiscal, um maior controle dos juros, inflação e da diminuição das taxas de desemprego que afetam diretamente o retomada desses mercados”, comentou o especialista.

Balanço

Os dados referentes ao setor, divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, por meio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), ainda revelam que oito dos dez segmentos do varejo apresentaram resultados positivos – registrando o quarto avanço consecutivo. O crescimento entre janeiro e julho de 2019 foi de 3,8%. Apenas os segmentos de papelaria, revistas e jornais (-18,5%) e equipamentos de informática e escritório (-2,2%) registraram baixas no volume de vendas.

Já no que diz respeito ao desempenho das regiões do País, o levantamento apontou incremento positivo em 19 das 27 unidades da federação. O destaque ficou para os estados do Mato Grosso (5,4%), Rio de Janeiro (2,7%) e e Bahia (2,4%). Os entes federativos com saldo negativo foram: Amazonas (-1,9%), Roraima (-1,6%) e também o Ceará (-1,5%). Goiás e o Pará registraram estabilidade nas vendas no período.

Para a gerente da PMC, Isabella Nunes, os segmentos supermercadistas e também artigos de uso pessoal e farmacêutico foram os responsáveis pela alta do varejo no mês de julho. “Esse movimento já pode ser observado em meses anteriores e sustentado, sobretudo, pela evolução gradual do mercado de trabalho. Por outro lado, o movimento de alta na concessão de crédito para as pessoas físicas ajudou na dinâmica de vendas para o segmento de móveis e eletrodomésticos”, argumentou ela.