O Brasil pode retornar ao mapa da fome? Estudos recentes da FAO, Organizações das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura, apontam para um cenário pessimista e desanimador em relação à luta histórica do País contra a fome. A repercussão dessa possibilidade desfavorece a imagem do país no exterior, já bastante danificada e fragilizada por motivos políticos e econômicos, diz o professor de Relações Internacionais da ESPM-Rio, Ricardo Gomes, sobre a afirmação, ontem, em Lisboa, do diretor-geral da FAO. Para José Graziano da Silva, o crescimento econômico é o caminho para o Brasil afastar o risco de voltar ao mapa da fome.

Retrocesso social

“O Brasil tem mostrado números muito ruins nos últimos meses. O crescimento é um caminho, poderá ajudar o Brasil a sair desta dificuldade”, sublinhou Graziano. O Brasil saiu do mapa da Fome (elaborado pela FAO desde 1990) pela primeira vez em 2014, quando 3% dos brasileiros sofriam de restrição alimentar severa. Um país com mais de 5% da população subalimentada entra para o mapa da FAO. Segundo o Banco Mundial, 28,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza de 2004 a 2014, mas em 2016, 3,6 milhões voltaram a viver abaixo do nível de pobreza.

Desemprego é o inimigo

Na opinião do professor de Relações Internacionais da ESPM-Rio, Ricardo Gomes, “parecia que a erradicação da fome era um tema superado e sepultado. Ledo engano. Em apenas três anos, a recessão profunda que vem assolando a nossa economia e o nó político-institucional reposicionou um contingente alarmante de pessoas de volta ao patamar vergonhoso da fome”. O desemprego é o grande inimigo a ser vencido. “As pessoas que estão abaixo dessa linha normalmente são os desempregados, são os que fazem trabalhos aqui e ali, sem ocupação formal”, ressaltou Graziano.

Repensar a gestão do Estado

Os mecanismos usados atualmente pelo governo para acelerar o crescimento da economia brasileira não vêm conseguindo resultados positivos. “Aliás, estamos bem longe disso, pois a taxa de desemprego continua absurdamente alta. A ‘austeridade econômica’, o princípio orientador do atual Ministério da Fazenda, vem sufocando a economia em nome de um objetivo restrito; o de sanar as finanças públicas”, comenta Ricardo Gomes. “Precisamos repensar como melhor gerenciar o Estado, porém elaborar critérios não significa pauperizar parte da população”, conclui.

Cem mil balanças piratas por ano

“Estima-se que por ano entram no mercado brasileiro cerca de 100 mil balanças piratas, ou seja, sem aprovação do INMETRO, sendo que a maioria vem da China. Em uma época de economia recessiva, a venda se dá mais em função do preço do que da qualidade”, diz Paulo Haegler, presidente da Toledo do Brasil. A empresa vem atuando mais junto aos órgãos regularizadores. “Queremos inibir o comércio ilegal de balanças, pois todos são prejudicados: a indústria, o comércio e o consumidor final”, acrescenta o empresário.

Certificadora anticorrupção...

Com mais de setecentas certificações em diversas áreas realizadas para organizações nacionais e estrangeiras como Repsol, Schlumberger, TechnipFMC, Great Oil e o VLT Carioca, a BRA Certificadora será a primeira empresa brasileira a ter seu programa de Certificação de Sistemas de Gestão Anticorrupção representado no exterior pela Creat e Compliance, subsidiária da Creat, organização não governamental norte-americana referência mundial na prevenção da pirataria, roubo de segredos industriais, suborno e corrupção.

...e gerenciamento de riscos

“Enxergamos na Creat e  Compliance um importante player internacional no combate à corrupção e gerenciamento de riscos. Assim que apresentamos a eles os requisitos abrangentes, e a metodologia robusta e imparcial do nosso programa, a sintonia foi imediata e as conversas foram muito rápidas e objetivas”, diz o diretor executivo da BRA Certificadora, Tiago Martins. Trata-se de mais um meio, dentre as tantas leis vigentes, para as empresas prevenirem riscos decorrentes de desvios de condutas de empresários e executivos.

Renovação nas cidades com festivais  

Oi Futuro e o British Council acreditam que os festivais artísticos são uma força única para renovar a vida nas cidades e contribuir para formar novos públicos. Por isso, em parceria inédita, criaram o Programa Pontes para fomentar experimentações de inovação e conexões. O edital para o financiamento dessas iniciativas culturais, lançado na segunda (5) em São Paulo, tem foco na internacionalização de festivais artísticos de todo o Brasil. Produtores de festivais de linguagens variadas podem inscrever suas propostas até dia 28 de fevereiro no site do Oi Futuro e não precisam estar inscritos em leis de incentivo à cultura. Outra novidade é o pool criadores britânicos que podem vir ao Brasil com o aporte desse projeto, de R$ 500 mil. “A construção de um programa concebido para festivais brasileiros é uma forma de responder a desafios colocados pelo complexo momento econômico e social do país, que afeta a cena artística”, diz Roberto Guimarães, gestor de Cultura do Oi Futuro.  

 ‘Vale do Dendê’ (I)

Projetos criativos nem sempre acontecem a partir de geração espontânea. Em muitos casos elas são produto de um ambiente disruptivo onde a inovação e a diversidade fazem parte do processo para se alcançar o sucesso. Foi com isso em mente que os integrantes da Holding Vale do Dendê decidiram lançar a Escola de Inovação Vale do Dendê, no Pelourinho, o coração do Centro Histórico de Salvador. A unidade terá como foco oferecer novas experiências para executivos, publicitários, artistas e criativos do Brasil e do mundo com cursos de co-criação de soluções,workshops com inovadores, além de funcionar como um HUB de irradiação de macrotendências sobre tecnologia e criatividade.

‘Vale do Dendê’ (II)

A primeira turma está prevista para o segundo semestre de 2018. “Esse projeto visa colocar Salvador na rota de inovação global. Muitos executivos viajam para o Vale do Silício buscando soluções inovadoras, mas esquecem que muitas delas estão aqui mesmo no Brasil”, destaca Paulo Rogério, cofundador da Holding e um dos gestores da Aceleradora Vale do Dendê. “A universidade continua tendo um papel importante na disseminação do conhecimento, contudo, algumas experimentações têm de nascer em espaços dedicados e vocacionados para tal”.

PLANO DE VOO