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BRASÍLIA - A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional discute nesta terça-feira (2) a compra de terras na Amazônia por empresários e organizações não-governamentais estrangeiros. O diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Fernando da Costa Lacerda, foi convidado a explicar as investigações da agência sobre o assunto.

Segundo matéria publicada no jornal O Globo, no último dia 26 de maio, a Abin produziu um relatório reservado em que afirma que o empresário sueco Johan Eliasch, consultor do primeiro-ministro inglês Gordon Brown, teria estimulado empresários ingleses a comprar ou fazer doações para aquisição de terras na Amazônia. Na avaliação de Eliasch, para comprar toda a Floresta Amazônica seriam necessários 50 bilhões de dólares (aproximadamente R$ 81,5 bilhões).

O empresário sueco é investigado pela Polícia Federal e pela Abin a respeito da compra de 160 mil hectares no Amazonas e em Mato Grosso. Eliasch também é um dos fundadores da ONG Cool Earth, entidade que está na lista de organizações suspeitas de irregularidades na Amazônia, produzida pelo Ministério da Justiça.

"Os ataques a soberania brasileira na Amazônia repetem-se periodicamente", ressalta a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC), que propôs a realização da audiência com o presidente da Abin. Ela lembra que uma recente reportagem do New York Times defendia que os chefes de estado de todas as nações tivessem poder de mando sobre a região, inclusive decidindo o que fazer dessas terras.

A pedido do deputado Nilson Mourão (PT-AC), a comissão também ouvirá o presidente do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Rolf Hackbart. A audiência será realizada no plenário 3 a partir das 14h30.