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O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), afirmou que a medida provisória da reforma administrativa corre o risco de caducar se os senadores quiserem manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A Câmara votou para devolver o órgão ao Ministério da Economia e enviou a medida ao Senado. Se houver alteração teria que ser novamente analisado pelos deputados. A MP tem até o dia 3 de junho para passar pelo Congresso, se não, o governo terá de recriar ministérios.

O governo conseguiu, com sufoco, aprovar na Câmara dos Deputados a medida provisória que modifica estrutura do governo federal, mas o clima no Congresso só tende a se acirrar e pode até comprometer a reforma da Previdência, segundo uma liderança parlamentar ouvida nesta quinta pela Reuters .

Segundo essa fonte, a postura do governo de tentar colar no Congresso a pecha da velha política, de responsabilizar a classe política pela crise no País e, num episódio mais recente, a atuação parlamentar de governistas pautada pela aprovação em redes sociais, levou deputados, principalmente de partidos de centro, ao limite da paciência. A irritação ficou evidente na quarta, quando a Câmara votou a MP dos ministérios e decidiu manter o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) no Ministério da Economia, apesar da pressão do governo.

A estratégia de fazer votação nominal para o tema na tentativa de constranger parlamentares e a pressão via redes sociais adicionaram mais lenha na fogueira.

E no caso da Previdência, tema polêmico que traz desgaste aos parlamentares, a situação é pior. Segundo a fonte, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera as regras previdenciárias não conta com mais de 70 votos. O mal-estar não envolve apenas a Câmara e já contamina senadores, inclusive o presidente da Casa. A conturbada MP dos ministérios, aliás, deve ser votada pelo Senado na próxima terça, 28. Alcolumbre fará apelo aos líderes para que não mexam no texto da Câmara. Convencidos de que a crise vai piorar, senadores de vários partidos já discutem e decidiram tocar agenda própria, à revelia do presidente Jair Bolsonaro. Em almoço realizado na quarta, na residência oficial do presidente do Senado, líderes de bancadas avaliaram que o governo está “sem rumo” e, ainda, que Bolsonaro corre risco de não terminar mandato, se continuar apostando no confronto.