Publicado em

As 77 mulheres que compõem a Câmara dos Deputados na legislatura até 2022 fizeram seu primeiro encontro para fixar as pautas prioritárias que tocarão nos próximos meses. Ainda que fruto de partidos e ideologias distintas, a unidade decidiu dar continuidade em projetos que já estão na Casa e tratam sobre fortalecer políticas de combate à violência e o feminicídio.

De acordo com a secretária da Mulher, professora Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), a bancada feminina vai trabalhar pela aprovação de projetos de lei que já estão em andamento na Casa, especialmente aqueles que tratam do fortalecimento das estruturas de combate à violência, das garantias à saúde, educação e ao emprego. "Nosso objetivo central é, dividindo áreas de atenção de cada uma das parlamentares, poder estabelecer um planejamento estratégico", informou.

A reunião, que aconteceu na última semana, explica Dorinha, também serviu para que as deputadas se conhecessem e apresentassem suas demandas para que a bancada possa construir sua agenda de prioridades.

A parlamentar destacou que apesar das diferentes bandeiras individuais, a bancada atua para fortalecer as deputadas da Casa, por meio de um trabalho conjunto em torno de temas de interesse coletivo das mulheres. “Temos deputadas com diferentes histórias e bandeiras, mas com temas que nos unem", afirmou.

Com 78 deputadas eleitas e 77 exercendo o mandato, essa é a maior bancada da história da Câmara, representando um crescimento de 15% em relação à legislatura passada. No encontro, as parlamentares destacaram que apesar desse crescimento a disparidade entre homens e mulheres ocupando cargos políticos ainda é alta e, portanto, deve ser um dos principais temas a serem trabalhados pela bancada.

Durante a reunião o feminicídio foi um dos principais temas abordados, devido aos dados que colocam o Brasil como o quinto país do mundo que mais mata mulheres. Temas ligados a saúde, maternidade, profissionalização, equiparação salarial e participação na política também foram abordados. Para o mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, a bancada prepara um evento em parceria com a ONU Mulheres.

“As mulheres formam bloco expressivo para o parlamento brasileiro, mas que ainda não reflete a realidade do País, já que a maioria da população, hoje, é composta por mulheres”, comentou a socióloga Márcia Bezerra.

De acordo com ela, as mulheres são também a principais tomadoras de decisão nos lares do País, e ouvi-las é essencial para que o País supere esse momento difícil. “A representatividade no governo ainda é pequena, mas a história da mulher é um enredo de luta, acredito que as diferentes legendas que compõem essa bancada mostrará para o resto da política que o diálogo leva ao êxito”, completou.