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O presidente da República, Jair Bolsonaro, criticou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, por ter se reunido com Organizações Não Governamentais (ONGs) durante visita ao Brasil. "O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um sinal de alerta", disse. Bolsonaro voltou a afirmar que cancelou agenda com Le Drian esta semana porque tinha outro compromisso, mas admitiu que outros fatores contribuíram.

"Política é tudo igual, dizia Ulysses Guimarães, é olhar para as nuvens e elas mudam constantemente de posição. E tem que agir dessa maneira", declarou Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada.

Bolsonaro disse que "ficou sabendo" que Le Drian marcou reunião com o vice-presidente, Hamilton Mourão, com representantes de ONGs e governadores do Nordeste.

Ele também fez uma ironia dizendo que conceder uma entrevista a um jornalista seria mais importante do que falar com o ministro francês.

"Cancelei. Tinha outro compromisso. Falar contigo (jornalista) talvez é mais importante do que conversar com ele (ministro francês). Eu tenho estratégia de como agir em dado momento. Ele marcou audiência comigo. Aí fiquei sabendo que ele tinha marcado com o Mourão, tinha marcado com ONGs. Quem é que ferra o Brasil? ONGs", avaliou o presidente da República.

Questionado se sentiu desprestígio, Bolsonaro negou. "Negativo. Ele pode conversar com quem quiser. Se descobrir que o Papa Francisco é brasileiro, pode falar com o Papa Francisco. Marcou também uma reunião com governadores do Nordeste. A gente vê que... O que ele veio tratar com ONG aqui? Quando fala em ONG, já nasce um alerta na cabeça de quem tem o mínimo de juízo."