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Favorável à flexibilização de regras de proteção ambiental na Amazônia brasileira, inclusive nas reservas indígenas, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) voltou a defender, ontem, o desenvolvimento econômico da Amazônia, afirmando que a região é a mais rica do planeta e pode se tornar a “alma econômica” para o crescimento do Brasil.

Bolsonaro tem defendido a exploração econômica da Amazônia desde a campanha presidencial, e recentemente passou a atacar o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que apontou aumento substancial do desmatamento no país este ano.

“A nossa Amazônia, a região mais rica do planeta Terra, e, ao casar o desenvolvimento com a preservação ambiental, nós faremos, sim, mais do que o coração do Brasil, seremos a alma econômica do nosso Brasil”, disse Bolsonaro ao discursar durante cerimônia em Manaus, capital do Amazonas, para a entrega de certificados a alunos participantes da Olimpíada Internacional de Matemática.

Ele também enfatizou que seu governo está pronto a conversar com países que estejam dispostos a explorar a biodiversidade do país em parceria com o Brasil e afirmou também que pretende enviar ao Congresso um projeto para legalizar o garimpo no país. “Tenho mostrado, falado para o mundo, que qualquer país que por ventura queira, em parceria, explorar a nossa biodiversidade, estamos prontos para conversar com esses países. Tenho dito a mesma coisa em relação à exploração mineral”, afirmou Bolsonaro em discurso de abertura da reunião da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).

Bolsonaro também voltou a criticar o que chamou de “indústria de demarcação de terras indígenas”, ao mesmo tempo que disse que esta mentalidade está mudando. “Nós queremos integrar o índio à sociedade e queremos fazer o casamento do meio ambiente com o progresso”, garantiu o presidente.

Desmatamento

“Aqui tem tudo para alavancar o Brasil ao local de destaque que ele tem e merece. Temos biodiversidade, temos riquezas e minerais, água potável, grandes espaços vazios, áreas turísticas inimagináveis. Temos tudo para alavancar nossa economia partindo aqui da região amazônica”, acrescentou o presidente da República.

Dados divulgados pelo Inpe neste mês mostraram que o desmatamento na Amazônia disparou na primeira metade de julho e superou toda a taxa registrada no mesmo mês no ano passado. Os dados preliminares dos satélites mostram o desmatamento de mais de 1 mil quilômetros quadrados de floresta, 68% a mais do que o mês de julho de 2018.

A Amazônia abriga a maior floresta tropical do mundo, e cientistas consideram sua proteção essencial no combate à mudança climática.

Ambientalistas dizem que o aumento do desmatamento no Brasil é resultado das políticas do governo de Bolsonaro e de sua retórica a favor do desenvolvimento da região, além do desmonte dos instrumentos de fiscalização, como Ibama e ICM-BIO.

Zona Franca

De acordo com Estadão Conteúdo, o presidente defendeu, ontem, a importância da Zona Franca de Manaus que, segundo ele, foi criada como visão estratégica do governo militar. Questionado sobre as ameaças de corte que a região teria sofrido do ministro da Economia, Paulo Guedes, que hoje preside o Conselho de Administração da Suframa, e se a presença dele não significaria, em sentido figurado, entregar o galinheiro para a raposa, Bolsonaro reagiu: "Não existe nada disso. É natural nos debates você falar de certas coisas que você pode dar uma moldagem lá na frente e resolver o assunto", disse.

Em seguida, o presidente lembrou da polêmica envolvendo suas declarações sobre o povo nordestino. "Alguém acha que eu falei mal do povo nordestino quando eu cochichei no ouvido do deputado uma questão do Maranhão e da Paraíba? Agora está uma briga, estive na Bahia e fui muito questionado pelo povo dizendo que não é verdade que o pior governador do Nordeste é o do Maranhão. Uns dizem que é da Bahia, do Ceará, Paraíba, do Piauí. Está uma briga terrível. Queremos libertar o Nordeste desse julgo. Parece que são massa de manobra da esquerda. Tem de deixar de existir", afirmou.

O novo conselho da Suframa foi totalmente reformulado pelo governo federal. Por ano, é de R$ 25 bilhões o incentivo fiscal às empresas da região.