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Os nomes escolhidos para ocupar os cargos de secretários estaduais mostram a ambição do novo governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), de chegar à Presidência do Brasil, segundo especialistas ouvidos pelo DCI.

Vinicius Lummertz, Sérgio Sá Leitão, Gilberto Kassab, Aloysio Nunes e Henrique Meirelles são apenas alguns ex-ministros que farão parte do que o cientista político e sociólogo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Rodrigo Prando, chamou de “secretariado ministerial”. Ele acredita que nomes vindos de Ministérios trazem mais força e visibilidade para a gestão. “Da mesma forma que Bolsonaro ganhou muito simbolicamente com Sérgio Moro, o Doria ganha com Meirelles: um ex-ministro e também candidato à presidência”, explicou Prando.

Para o cientista político da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), Aldo Fornazieri, Doria visa o mais alto cargo do Executivo. “As Secretarias que estão montando com vários nomes de ministros mostram exatamente isso. São pessoas com experiência para dar uma certa tranquilidade para que ele possa fazer política”, comentou Fornazieri.

O objetivo do novo governador pôde ser notado em seu curto mandado como prefeito de São Paulo, quando praticamente abandonou a gestão para viajar pelo Brasil e pelo mundo. Para Prando, João Doria já entrou na Prefeitura mirando a Presidência. E, apesar da preferência ser do então governador Geraldo Alckmin, há tempos no cargo pelo PSDB, Doria se mostrou ainda mais audacioso com sua vitória. “O plano dele é ser candidato em 2022. O Bolsonaro não queria reeleição, o que abre espaço para o Doria”, diz Fornazieri.

O especialista da FESPSP acredita que, por enquanto, o psdbista não é uma ameaça para o presidente eleito. “Desde que Bolsonaro não queira ser candidato novamente, ele não vai cortar a aliança”.

De acordo com o sociólogo do Mackenzie, o novo governador está apostando que Bolsonaro cometa algum equívoco. “O Doria, provavelmente sabendo das características do Bolsonaro, vai deixar que ele crie fatos que desabonem o seu governo. Ele poderá falar ‘sou mais moderado e, ainda como governador, montei um secretariado bom’”, disse.

Ainda segundo o sociólogo, caso não alcance a Presidência, o plano pode fazer com que ele consiga mais uma vez o Governo de São Paulo.