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Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira que confia na aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso, e que considera natural ceder para conseguir apoio ao texto, dizendo que se "forçar a barra" há um risco de não aprovar a proposta.

"É natural ceder para aprovar o que é possível", disse o presidente, em café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, ao destacar que tem conversado sobre essa questão com o ministro da Economia, Paulo Guedes.

"Se forçar a barra, o risco é de não aprovar nada", reforçou.

Bolsonaro lembrou que o parecer da reforma da Previdência, apresentado na véspera na comissão especial pelo deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), retirou as mudanças feitas pelo governo no pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) e na aposentadoria rural e a extensão das novas regras a Estados e municípios. Outro ponto importante excluído foi a previsão do regime de capitalização.

O presidente disse que há governadores que querem aprovar a reforma com a inclusão dos Estados, mas que não contam com o apoio das respectivas bancadas de parlamentares federais. Ainda assim, ele frisou que o interesse é a aprovação das mudanças em regras previdenciárias que atingem a União.

"Nosso foco é a União. Se puder resolver Estados e municípios, tudo bem", disse, ao avaliar que a "bola está com o Legislativo" e que os Poderes são independentes.

O presidente afirmou que acredita na aprovação da reforma, mas preferiu não fazer prognósticos sobre o número de votos que o governo tem. Ele disse que não acredita em "contagem de votos" e os parlamentares também não --numa referência a pesquisas feitas com parlamentares no momento sobre o apoio ou não à proposta.

Bolsonaro destacou que, após a aprovação da Previdência no Congresso, o governo quer levar adiante a proposta de reforma tributária e o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

Com as mudanças feitas pelo relator na proposta da Previdência, o impacto fiscal previsto com a reforma em 10 anos ficou em 1,13 trilhão de reais, sendo 913,4 bilhões de reais em economia de despesas e 217 bilhões de reais com uma receita decorrente do fim da transferência de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para o BNDES.

Nesta sexta-feira, a Câmara teve quórum para realizar uma sessão, contando o primeiro dos dois dias de prazo de vista dado à comissão especial que discute a reforma. O esforço é garantir quórum também na segunda para a comissão poder iniciar a discussão do parecer de Moreira já na terça-feira.

Apesar da intenção do governo de tentar votar o quanto antes o parecer, o presidente da comissão especial, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), preferiu não "especular data" para votação da proposta no colegiado, sob o argumento de que isso pode gerar "instabilidade".

O objetivo do governo e do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é votar a reforma no plenário da Casa antes do recesso parlamentar, que tem início na segunda quinzena de julho.