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Depois de conseguir, com sufoco, aprovar na Câmara dos Deputados a medida provisória que modifica estrutura dos ministérios, o governo federal nesta semana lutará para tentar melhorar o clima com o Congresso. Apesar do acirramento dos ânimos na semana passada, o objetivo agora é tentar aprovar a MP 870 a toque de caixa para que ela não perca a validade.

Mesmo irritado de perder Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça para o da Economia, apesar da pressão, a meta é deixar a o texto como está e aprová-lo para não caducar e, assim, manter a organização dos ministérios como foi decidido no início do governo.

A questão agora é impedir que a animosidade também comprometa a reforma da Previdência, avalia uma liderança parlamentar ouvida pela Reuters na última semana. Segundo essa fonte, a postura do governo de tentar colar no Congresso a pecha da velha política, de responsabilizar a classe política pela crise no País e, num episódio mais recente, a atuação parlamentar de governistas pautada pela aprovação em redes sociais, levou deputados, principalmente de partidos de centro, ao limite.

A irritação ficou evidente na última quarta-feira, quando a Câmara votou a MP dos ministérios e decidiu manter o Coaf no ministério da Economia. A estratégia do partido do governo de fazer uma votação nominal para decidir o tema, na tentativa de constranger os parlamentares, e a pressão via redes sociais adicionaram ainda mais lenha na fogueira, chegando ao ponto de o líder do DEM na Casa, Elmar Nascimento (BA), fazer um desabafo em plenário, aplaudido por colegas. “Não dá para ignorar o que aconteceu”, disse a liderança, acrescentando que o PSL deve ficar cada vez mais isolado na Casa.

A Previdência, porém, foco principal do governo tem 50 votos, 70 estourando, afirmou a fonte. Em outra frente, a Câmara aprovou uma proposta de reforma tributária, o que reforma a possibilidade de um “parlamentarismo branco”.

Nordeste

Na difícil missão de unir vários lados, o presidente Jair Bolsonaro viajou na última sexta-feira (24) paro o Nordeste em sua primeira visita oficial à região. Em Pernambuco, ele se reuniu com governadores e entregou casas populares. Ao enaltecer o Nordeste em discurso em Petrolina, interior de Pernambuco, o presidente afirmou que o seu coração é pernambucano. "Não há recompensa maior do que estar entre amigos, meu coração é pernambucano", afirmou, na inauguração do Residencial Morada Nova, do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).

Assim que assumiu a Presidência, Bolsonaro estabeleceu um grupo interministerial, comandado pela Casa Civil, para tratar de políticas prioritárias para o Nordeste. Reuniões do Fórum dos Governadores do Nordeste com representantes do governo e o Congresso Nacional também são frequentes em Brasília.

Em preparação à visita Bolsonaro reuniu parlamentares do Nordeste no Palácio do Planalto para ouvir os projetos prioritários de cada estado da região, o objetivo era estar em maior sintonia com as pautas sensíveis aos moradores.

Além da agenda que envolve “atender os apelos da população local” o presidente também tem nessa missão ao Nordeste o desafio de angariar apoio ao projeto de reforma da Previdência. “Faço um apelo aos senhores governadores do Nordeste. Nós temos um desafio pela frente, que não é meu, é também dos senhores governadores e senhores prefeitos, independentemente da questão partidária, é a reforma da Previdência, sem a qual não podemos sonhar em botar em prática parte do que nós estamos acertando aqui neste momento”, disse Bolsonaro durante reunião do Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em Recife.

O sonho da Previdência

Segundo Bolsonaro, com a aprovação da reforma previdenciária será possível “sonhar com uma economia que rode a máquina”, e através dela o país pode receber “recursos até de fora do Brasil para colocarmos o Brasil no rumo do verdadeiro desenvolvimento”.

O presidente também reiterou esperar que o Congresso não faça mudanças na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Previdência enviada pelo governo, mas disse ser “mais do que um direito” dos parlamentares fazer alterações que acharem adequadas.

Segundo ele, a Caixa, responsável pelos financiamentos do programa, “não tem medido esforços” para mantê-lo vivo. Antes de sua fala Bolsonaro ouviu cobrança do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), por um pacto federativo para ampliar o repasse da União de recursos a governos municipais e estaduais.