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O presidente da Câmara de Comércio Brasil-EUA, Alexandre Bettamio, abriu a solenidade de entrega do prêmio personalidade do ano, em Nova York, na noite de terça-feira, 14, citando o inusitado da festa. O evento, que premiou Jair Bolsonaro e Mike Pompeo, chefe da diplomacia americana, não contou com a presença de nenhum dos dois homenageados.

“É uma noite completamente diferente da que foi planejada... Mas estamos aqui. Casa cheia”, disse. No caso do presidente brasileiro, a ausência aconteceu depois de boicotes e protestos, estimulados pelo prefeito da cidade, Bill de Blasio, que classificou Bolsonaro como perigoso e preconceituoso.

O jantar de homenagem aconteceu mesmo assim. Sem integrantes do Poder Executivo nacional, o evento teve o protagonismo de João Doria, governador de São Paulo. Apesar de presidentes dos outros poderes estarem presentes no evento – Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, e Davi Alcolumbre, do Senado –, o escolhido para discursar pelo lado brasileiro foi o paulista. A escolha, dizem os organizadores, foi pelo fato do governador tucano já ter sido agraciado pelo prêmio.

Em inglês, Doria criticou o prefeito de Nova York. “Da próxima vez, seja gentil com o presidente de nosso país e com os brasileiros que visitam sua cidade, sejam quem forem (…). Apesar de você, nós amamos Nova York e amamos a América”, disse Doria, que fechou o evento pedindo um brinde pelo Brasil. O tucano ainda afirmou que não é alinhado politicamente com o presidente brasileiro, de outro partido, mas que o respeita. Do lado de fora do Marriot, cerca de 75 manifestantes fizeram um protesto contra Bolsonaro. Tradicionalmente, o evento é realizado no Museu de História Natural de Nova York, embaixo da ossada de uma baleia. Neste ano, depois de o museu - e mais uma casa de eventos - se recusar a sediar uma homenagem a Bolsonaro, o jantar de gala foi realizado em uma das salas do hotel Marriot, na Times Square.

Apesar de conseguir abrigar mais de mil pessoas - coisa que não aconteceria no museu, onde haveria um “puxadinho”, com uma sala com telões instalados - o local é considerado menos glamouroso e a Times Square, a despeito de ser central, reúne os hotéis com preços populares da cidade.