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O ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou ontem (16) a abertura de inquérito para apurar suposto esquema criminoso de pagamento do grupo J&F a parlamentares do MDB nas eleições de 2014.

As suspeitas foram levantadas nas delações premiadas do executivo Ricardo Saud e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado. Em sua delação, Saud disse ter havido pagamento da ordem de R$ 46 milhões a senadores do MDB, a pedido do PT.

De acordo com o executivo, apesar de diversas doações terem sido oficiais, trata-se de "vantagem indevida" pois dirigentes do PT estariam comprando o apoio de emedebistas nas eleições de 2014 para garantir a aliança entre os dois partidos.

O objetivo do pagamento milionário era o de manter a unidade do MDB, pois havia risco de que integrantes do partido passassem a apoiar formalmente o candidato adversário, o senador tucano Aécio Neves (MG). O esquema teria beneficiado os senadores do MDB Eduardo Braga (AM), Jader Barbalho (PA), Eunício Oliveira (CE), Renan Calheiros (AL), Valdir Raupp (RO) e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Vital do Rego.

Sérgio Machado, por sua vez, declarou ouvir em reuniões ocorridas na residência de Renan, "que o grupo JBS iria fazer doações ao PMDB, a pedido do PT, na ordem de R$ 40 milhões". Os gabinetes dos senadores foram procurados pela reportagem e não haviam se manifestado até a publicação do texto. Em nota, o MDB informou repudiar "mais uma tentativa de criminalização da política". "Esperamos que a conclusão deste inquérito seja rápida e acreditamos que ao final a verdade será restabelecida", disse o partido. O PT ainda não se pronunciou.

O inquérito também deve apurar pagamento ao então presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (MDB-RN), por meio de notas fiscais frias que teriam simulado prestação de serviços de empresas para a JBS.

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Para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, no pleito de 2014 engendrou-se um esquema de pagamento indevidos provenientes da J&F a parlamentares do MDB a fim de que eles mantivessem a aliança com o PT. A autorização de Fachin para investigar o caso, porém, não cita nominalmente parlamentares e ex-parlamentares como investigados.