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“Isso não é uma questão política. Estamos aqui diante de uma questão ética”, disse o jornalista Glenn Greenwald, que esteve nesta quinta-feira (11), pela segunda vez no Congresso, em Brasília. Durante a sabatina do Senado, ele acrescentou que não entregará as mensagens do ex-juiz Sérgio Moro às autoridades pois isso é coisa de país autoritário.

Para o fundador do site The Intercept Brasil, ninguém mais acredita quando o ministro Justiça diz não se lembrar do conteúdo das conversas que ele teve com o procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato. Em sua opinião, houve conluio entre Moro e o Ministério Público Federal na condução das ações da Lava Jato.

Greenwald alega que entregar as gravações é contra a liberdade de imprensa. “Nossa causa não é Lula Livre. São princípios que não têm nada a ver com tendências políticas, mas sim da democracia. Qualquer ideologia, seja de direita ou de esquerda, deve defender esses princípios”, afirma o jornalista, acrescentando que estão abusando do poder para intimidar jornalistas.

Durante o depoimento, o senador Fabiano Contarato (Rede-ES) afirmou que irá pedir a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a questão. “Ninguém está acima da lei. Nem juiz ou ministro. E foi preciso um estrangeiro vir aqui para nos alertar, porque não é normal a promiscuidade entre juiz e procuradores”, afirmou.