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Por Anthony Boadle

BRASÍLIA (Reuters) - Os incêndios que estão queimando a Floresta Amazônica poderiam afundar as chances do Brasil se tornar um país membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), disseram empresários nesta sexta-feira. 

O aumento dos incêndios preocupa ambientalistas que culpam o presidente Jair Bolsonaro pelo enfraquecimento de mecanismos de preservação da maior floresta tropical do mundo, virando as costas para o desmatamento ilegal por parte de fazendeiros e grileiros. 

Os incêndios provocaram uma onda internacional de críticas a Bolsonaro e à sua condução do processo em relação à floresta, que produz mais de 20% do oxigênio da atmosfera terrestre e é considerada um importante esteio contra as mudanças climáticas. 

O presidente da França, Emmanuel Macron, disse que a crise deve ser abordada na cúpula dos líderes do G7 na França neste final de semana, na qual ele proporá que os membros façam a assinatura de estatuto sobre biodiversidade. 

"A situação é muito séria", disse Rubens Barbosa, diretor de Comércio Exterior na Federação de Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

O Brasil solicitou entrada no clube de 37 nações baseado em Paris, em 2017, buscando um selo de aprovação requerido por muitos investidores institucionais. 

Mas a entrada do Brasil depende dos membros da OCDE concordarem de que o país está cumprindo uma série de recomendações, muitas delas em padrões ambientais. 

Com a atual falta de preocupação com o meio ambiente sob o governo de Bolsonaro, a adesão à OCDE está em risco, disse Gabriel Petrus, diretor-executivo da Câmara Internacional de Comércio no Brasil. 

"Acreditamos que será um desafio agora", disse Petrus que exigiu que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, tome ação imediata para reforça a proteção das florestas e conter os incêndios para melhorar a imagem do Brasil no exterior. 

"Se isso não acontecer, não seremos aprovados para entrar na OCDE", disse. 

Salles viaja a Paris em setembro para comparecer a uma reunião do Comitê de Política Ambiental da OCDE onde ele deve ser questionado sobre as políticas brasileiras para a área. 

Bolsonaro sempre prometeu abrir a região amazônica para mais agricultura e mineração, mesmo nas reservas indígenas que são vistas como as partes mais protegidas da floresta.