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Líder do governo na Câmara dos Deputados, o deputado Major Vitor Hugo (PSL) costura uma maneira de estreitar a relação entre o presidente Jair Bolsonaro e os parlamentares de seu partido, o PSL, que tem a segunda maior bancada na Câmara, com 54 deputados.

Mesmo com o bom número, o governo tem problemas em estabelecer uma base sólida no Congresso Nacional. O líder na Câmara quer tornar mais frequente o encontro de Bolsonaro com seus correligionários e, por isso, levou nesta quarta-feira (24) dez deputados do PSL para uma audiência com o presidente no Palácio da Alvorada - reunião que inaugurou a agenda do dia do chefe do Executivo.

A ideia é reunir Bolsonaro com grupos pequenos de parlamentares, para que o presidente possa estabelecer um diálogo mais direto com os deputados. O encontro desta quarta foi o primeiro nesse molde, segundo Vitor Hugo. Além do líder, estiveram presentes os deputados Marcelo Freitas - relator da Previdência na CCJ -, Chris Tonietto, Caroline de Toni, General Girão, Coronel Armando, Sanderson, Aline Sleutjes, Luiz Lima, Márcio Labre e Nicolletti. "A base do governo vai se formar, logicamente, em torno do presidente, e toda vez que a gente leva deputados do PSL (até Bolsonaro), a gente fortalece isso", disse o líder na Câmara ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.

A iniciativa vem após o próprio líder do PSL na Câmara, delegado Waldir, demonstrar insatisfação com o governo Bolsonaro. Em recente entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o deputado chamou o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM), de primeiro-ministro, e afirmou que, se a reforma da Previdência for aprovada, o mérito é de Maia. "Ele (Bolsonaro) precisa fazer um carinho na cabeça do parlamentar", disse o líder do partido do presidente.

Segundo Major Vitor Hugo, apesar de ter sido comemorada durante o encontro, a aprovação da reforma da Previdência na CCJ não foi o tema principal da reunião no Alvorada. Apesar da vitória, o governo enfrentou resistência na comissão e precisou negociar com partidos. Foi só depois de 62 dias do envio da reforma da Previdência que a CCJ aprovou a proposta, enquanto que o governo Temer levou apenas 10 dias para passar a sua na mesma comissão.

A intenção do governo agora é de instalar nesta quinta-feira (25) a Comissão Especial para discutir a proposta. A primeira reunião de trabalho, no entanto, deve ocorrer apenas em 7 de maio, após o feriado.