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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reiterou a confiança na aprovação da reforma da Previdência no plenário da Casa nesta semana, e disse que será uma vitória construída pelo Parlamento e não pelo governo, de quem cobrou medidas para fortalecer a economia.

Segundo Maia, a Câmara já tem hoje os 308 votos necessários entre os 513 deputados para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma previdenciária e caminha para ter mais votos até a votação em primeiro turno, prevista para terça-feira. “A construção do texto foi uma construção parlamentar, e a construção da vitória, se ela acontecer, será uma construção do Parlamento, não será uma construção do governo”, disse Maia em podcast semanal.

“O governo ajuda, o governo em alguns momentos atrapalhou, mas tem ajudado nas últimas semanas, mas precisa ficar claro nesse processo, exatamente para que os deputados tenham o conforto para votar, que o resultado dessa semana será o resultado do esforço, do trabalho, da dedicação de cada deputado e de cada deputada”, acrescentou.

O desafio para o sucesso da votação agora, segundo o presidente da Câmara, é mobilizar deputados para garantir a presença do maior número de parlamentares para votar. Maia disse que teve reunião com líderes na segunda-feira e para realizar a discussão da matéria no plenário da Câmara ao longo de toda a terça-feira, de forma a iniciar a votação no fim da tarde ou início da noite.

“Precisamos de presença. O ideal é que a gente tenha presença de mais de 490 para que a gente não tenha riscos no resultado dessa votação que é tão importante para o Brasil”, afirmou.

Maia também cobrou o Executivo a “retomar o protagonismo” na agenda econômica para criar empregos, e defendeu uma redução de juros depois que a reforma da Previdência for aprovada pelo Congresso. “Esperamos que no momento seguinte, já no 2º semestre, a gente já possa ver redução de juros, porque redução de juros ativa a economia. Que a gente possa ver propostas para a retomada mais rápida da geração de emprego, que a gente possa ver propostas de aumento da competitividade e, principalmente, aumento da produtividade do setor privado brasileiro”, afirmou.

Articulação

Enquanto os governistas e o Centrão se arrumam para votar a favor da Previdência, os líderes dos partidos de oposição tentam definir quais serão as estratégias para obstruir a tramitação da reforma no plenário da Casa.

O líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), acredita que além da obstrução, os partidos terão outro obstáculo. “Não acreditamos que o governo já tenha os votos que alardeia. Além disso, acreditamos que podemos virar votos no plenário, ao longo do debate. À medida que mostrarmos a crueldade de algumas medidas, vários deputados vão mudar de posição”, disse Molon.

Depois que os deputados conseguirem aprovar o texto base da reforma, em um primeiro turno, a Casa terá de avaliar destaques ao texto. Segundo Molon, a oposição deve repetir os que foram apresentados na comissão especial. De bancada foram apresentados 9. Já para o segundo turno, a oposição vai estudar formas de barrar uma medida que poderia acelerar a tramitação que é a quebra de interstício, que depende de amplo acordo. Além da oposição, parlamentares de outras alas podem não concordar em dispensar o intervalo.

O governo, no entanto, vai colocar toda sua força nessa aprovação. Para isso, três ministros de Bolsonaro reassumem mandato parlamentar para votar por reforma. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, vai reassumiu ontem, temporariamente, o mandato de deputado federal porque “faz questão” de dar o seu voto a favor da reforma da Previdência no plenário da Câmara. Onyx é considerado o principal articulador do governo pela reforma junto ao Congresso e também deve acompanhar de perto o encaminhamento da votação. Outros dois ministros, Tereza Cristina (Agricultura) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), estarão na Câmara como deputados a partir de terça-feira para votar pela reforma. Eles retornam aos cargos na quinta-feira, 11.

A líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que acredita que a reforma da Previdência será aprovada em dois turnos no plenário da Câmara até esta sexta-feira. A parlamentar acreditava também que o placar será um pouco mais de 340 votos a favor da proposta.

Já o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), disse que a sigla dele não pretendia apresentar mais nenhum destaques durante a votação da reforma da Previdência no plenário da Câmara.