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SÃO PAULO - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta segunda-feira que espera que a comissão especial que analisará o mérito da reforma da Previdência seja instalada na semana que vem ou na seguinte.

Em evento promovido pelas revistas Veja e Exame, Maia disse esperar que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tenha sua admissibilidade aprovada na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara nesta semana, abrindo assim caminho para a instalação da comissão especial.

"Encerra esta semana na CCJ e, a partir da semana que vem, a gente começa a pedir os nomes para a instalação da comissão especial, que vai ser instalada na próxima semana ou na outra, no máximo", disse Maia a jornalistas após dar palestra e responder a perguntas no evento.

O presidente da Câmara fez ainda a avaliação de que a PEC da reforma da Previdência deverá ser aprovada na Casa ainda no primeiro semestre deste ano e previu que o texto que terá o aval dos parlamentares permitirá uma economia próxima ao desejado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, da ordem de 1 trilhão de reais em 10 anos.

Maia fez ainda a avaliação de que uma eventual inversão de pauta da sessão da CCJ --com a PEC do Orçamento Impositivo sendo analisada antes da PEC da Previdência-- não terá impacto pata atrasar a tramitação da reforma.

"Se a esquerda ficar querendo usar a PEC do Orçamento para atrasar a Previdência, a informação que eu tenho de alguns líderes é que também a questão de deixar 100 parlamentares falando, também é demais, até porque a CCJ não é comissão de mérito", disse Maia.

 

CAPITALIZAÇÃO

O presidente da Câmara também fez a avaliação de que um sistema de capitalização tem espaço para ser aprovado com tranquilidade dentro da PEC da Previdência, desde que nos moldes que tem sido recentemente defendido por Guedes --entre outros pontos, um sistema híbrido e que, na capitalização, tenha a garantia do salário mínimo.

Maia também foi indagado sobre sua avaliação dos 100 dias recém-completados do governo do presidente Jair Bolsonaro, com quem teve troca de farpas públicas recentemente. Ele se recusou a dar uma nota para a gestão federal, mas disse que foram 100 dias com turbulência, embora "o avião já tenha passado pela turbulência".

O presidente da Câmara disse ainda que acredita que a agenda econômica de Bolsonaro está no caminho certo, apesar do que chamou de "alguns percalços", citando entre eles a decisão de Bolsonaro de intervir na decisão da Petrobras sobre o reajuste do preço do óleo diesel.

Ele cobrou, ainda, que Bolsonaro apresente suas ideias e uma agenda para outras áreas, como a educação, combate a pobreza e infraestrutura, para que essas ideias sejam debatidas pela sociedade e pelo Parlamento.