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O presidente Jair Bolsonaro (PSL) completa hoje seis meses no cargo e, apesar do pouco tempo de governo, já reorganizou seus ministérios algumas vezes. O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, deve ser o próximo da lista na reforma administrativa presidencial.

A proximidade de Onyx com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), incomoda Bolsonaro. Mesmo após esvaziar o poder de Onyx, que perdeu o comando da articulação política com o Congresso, o presidente ainda se queixa, nos bastidores, de que o ministro está fazendo o “jogo” do Legislativo, dando a impressão de que o governo cedeu ao toma lá, dá cá. Agora, nem mesmo a cúpula do DEM arrisca dizer se Onyx sobreviverá no cargo,

Bolsonaro transferiu a articulação política da Casa Civil para a Secretaria de Governo há menos de 15 dias, mas as mudanças no núcleo duro da equipe ainda não terminaram. A tarefa de negociação do Palácio do Planalto com o Congresso caberá, agora, ao general Luiz Eduardo Ramos, que assumirá a Secretaria de Governo em julho, no lugar do general da reserva Carlos Alberto dos Santos Cruz, demitido no dia 13 de junho.

A Casa Civil também perdeu a Secretaria de Assuntos Jurídicos, que faz a análise de decretos e projetos de lei. Embora Onyx tenha ficado com o comando do Programa de Parcerias de Investimentos, na prática o PPI é tocado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Há rumores de que o senador Eduardo Gomes (MDB-TO), aliado de Bolsonaro, pode assumir a cadeira de Onyx. Outro nome lembrado é o do secretário especial da Previdência, Rogério Marinho (PSDB), mas o presidente não quer mexer com ele antes da votação final das mudanças na aposentadoria, prevista para o segundo semestre.

Confiança

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), afirmou na sexta-feira, dia 28, em Belo Horizonte, que o ministro da Casa Civil “tem toda a confiança do parlamento”. Questionado se o auxiliar do presidente Jair Bolsonaro permanece no cargo, Maia respondeu: “não sei”.

Onyx tem demonstrado abatimento nos últimos dias, mas nega a possibilidade de que sua saída do governo esteja próxima. Diz ainda que o seu foco é a votação da reforma da Previdência. No fim de semana de 22 e 23 de junho, o ministro esteve na fazenda do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM). O motivo teria sido o de se aconselhar, e saber se deveria pedir demissão.

Ao chegar para o almoço na casa da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), Maia disse que Lorenzoni tem respaldo entre os deputados, mas que não tem informações sobre o futuro do ministro no governo. “O Onyx tem toda a confiança do parlamento na interlocução entre o governo e o parlamento”.

Pesquisa

Na quinta-feira da semana passada, dia 27, uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicou que o percentual daqueles que não confiam no presidente Jair Bolsonaro subiu 6 pontos, para 51%. O levantamento também mostrou elevação entre os que desaprovam a maneira do presidente governar para 48%, de 40% em abril, e entre os que consideram o governo ruim ou péssimo, de 27% para 32%.

A pesquisa, que tem margem de erro de 2 pontos percentuais, foi feita pelo Ibope para a CNI e mostrou que 32% dos entrevistados avaliam a gestão Bolsonaro como ótima ou boa, ante os 35% que pensavam dessa forma no levantamento anterior. Foram ouvidas 2 mil pessoas em 126 municípios entre 20 e 26 de junho.

Também na semana passada, o Instituto Sou da Paz divulgou uma nota criticando o governo Bolsonaro por ter editado seis novas normas sobre armas em seis meses de governo. Para a entidade, o presidente desrespeita as instituições da República, brinca com a vida de vítimas e relega à absoluta insegurança jurídica o bom trabalho de policiais, promotores e juízes. “O Instituto Sou da Paz lamenta a total falta de direção na condução da política nacional de armas de fogo exercida pelo governo federal”, diz a nota.