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A Polícia Federal foi às ruas nesta quinta-feira (8) para cumprir nove mandados de busca e apreensão no Estado de São Paulo como parte de investigação sobre suspeita de pagamento de propina no valor de R$ 4 milhões ao senador Romero Jucá (MDB-RR) pela Odebrecht para viabilizar a edição de uma resolução do Senado em 2012.

A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, no âmbito do inquérito 4382, que investiga Jucá com base nas delações de executivos da Odebrecht, incluindo o ex-presidente da empresa Marcelo Odebrecht.

No total foram expedidos 9 mandados de busca e apreensão, sendo sete em São Paulo, um em Santos e um em Campo Limpo Paulista.

O inquérito citado pela PF na operação afirma que, segundo o Ministério Público Federal, a empresa petroquímica Braskem – uma sociedade entre Odebrecht e Petrobras – tinha interesse na aprovação da Resolução 72 do Senado, que consistiria em limitar a chamada “Guerra dos Portos”.

Foi então combinado o pagamento da vantagem indevida no valor de R$ 4 milhões a Jucá pelo chamado setor de Operações Estruturadas da Odebrecht em troca de apoio à empresa na tramitação da medida, de acordo com inquérito.

Em nota, a assessoria de Jucá afirmou que ele “já prestou todas as informações sobre a resolução da uniformização da alíquota de ICMS que foi aprovada no Senado” e que “tem cobrado reiteradamente o andamento das investigações para que tudo possa ser esclarecido o mais rápido possível”.

PF também no Rio

No Rio, a PF também saiu às ruas para cumprir mandatos na Operação Furna da Onça, e que envolveu pelo menos dez dos 70 deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A movimentação do grupo chegou a R$ 54,5 milhões em pagamentos de propinas durante o segundo mandato do ex-governador Sergio Cabral (MDB), entre 2011 e 2014.

Foram detectados loteamentos de cargos principalmente do Detran, onde o deputado Paulo Melo (MDB) era considerado “rei do Detran”.

Os “mensalinhos” ficavam entre R$ 20 mil e R$ 900 mil – o maior valor foi detectado no caso de Paulo Melo. Os investigadores acreditam que este era alto porque redistribuiria para outros deputados.