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SÃO PAULO (Reuters) - O ex-deputado federal Marcelo Squassoni foi preso nesta quinta-feira pela Polícia Federal no âmbito da operação Círculo Vicioso, que apura irregularidades na Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), responsável pela administração do porto de Santos, o maior do país.

Além de Squassoni, que até o início deste ano exercia mandato de deputado federal pelo PRB paulista, outras 18 pessoas foram presas e dois mandados de prisão não puderam ser cumpridos e os envolvidos são considerados foragidos, informaram a PF e o Ministério Público Federal em São Paulo.

Também foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, Guarujá, Ilha Bela, Bragança Paulista e Serra Negra, todas no Estado de São Paulo, assim como em Duque de Caxias (RJ) e Fortaleza, capital do Ceará. Todas as ordens foram expedidas pela 5ª Vara Federal de Santos.

Os demais detidos são empresários e pessoas ligadas à Codesp, de acordo com os investigadores. A operação é a segunda fase da operação Tritão e se baseia em depoimentos de delatores e informações fornecidas por integrantes da atual diretoria da empresa. O prejuízo aos cofres públicos é da ordem de 100 milhões de reais, de acordo com a Polícia Federal e o Ministério Público.

Os investigados são suspeitos dos crimes de organização e associação criminosa; fraude a licitações e corrupção ativa e passiva.

"Operação é esforço conjunto de várias instituições. Codesp nos forneceu documentos e informações. Antes, a empresa era um antro de corrupção", disse o procurador Thiago Lacerda Nobre, responsável pelo caso, em entrevista coletiva na capital paulista.

"Aditivos contratuais eram a forma utilizada pelo esquema criminoso para aumentar indevidamente valores pagos e aumentar o desvio de dinheiro", acrescentou.

De acordo com o MPF, a influência de Squassoni na Codesp começou em 2015, quando ele assumiu mandato de deputado federal. O procurador disse que o ex-deputado recebeu mais de 1 milhão de reais em bens, pagamentos de empréstimos e propinas.

Não foi possível entrar em contato com Squassoni ou seus representantes para comentarem as acusações.

 

(Por Eduardo Simões)