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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - Apontado como um dos partidos que poderiam receber o presidente Jair Bolsonaro e os demais insatisfeitos do PSL, o Republicanos --antigo PRB-- analisa com cautela a possibilidade.

Segundo o presidente da legenda, o deputado Marcos Pereira (SP), não há nada de concreto nesse movimento e é preciso ter calma nesse momento.

“Tem alguns deputados que acham bom. Minha orientação é conversar”, disse Pereira à Reuters.

O Republicanos é um dos partidos do chamado centrão e, até agora, tem se mantido independente e sem cargos no primeiro escalão do governo.

Ligado à Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo --um dos apoiadores de Bolsonaro-- o partido seria um dos caminhos para o presidente, que tem se aproximado cada vez mais dos evangélicos.

Mas existem conversas se iniciando também com outros partidos interessados em abrigar a ala de parlamentares insatisfeitos do PSL, cujo presidente, deputado Luciano Bivar (PE), foi alvo de uma operação da Polícia Federal nesta terça-feira. [nL2N2700AV]

Sob risco de ser expulsa com outros colegas de bancada, a deputada Alê Santos (PSL-MG) confirma que recebeu um convite do Podemos.

“O Podemos me fez um convite formal através do senador Alvaro Dias. Estamos em conversação”, disse à Reuters.

A deputada disse que espera o resultado de uma reunião do PSL, marcada para esta tarde, para saber seu futuro.

Alê disse ainda que, no seu caso, seria melhor a expulsão, mas precisa esperar o resultado porque teria ouvido, através de uma pessoa de confiança, que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio --presidente do PSL em Minas-- preferia não expulsá-la e “sangrá-lá até o final do mandato”.

A deputada é uma das testemunhas contra Álvaro Antônio na investigação sobre o uso de laranjas na campanha de Minas Gerais. A deputada disse à Polícia Federal que foi duas vezes ameaçada de morte pelo ministro.

Outros 19 deputados estão no grupo que declarou apoio a Bolsonaro e articula, com o presidente, uma maneira de deixar o PSL sem perder o mandato. Pela lei, deputados que deixarem seu partido se uma "justa causa" podem perder o mandato para a legenda.

Os advogados Karina Kufa e Admar Gonzaga, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral, têm afirmado que a alegada falta de transparência do PSL com as contas partidárias é uma justa causa para a desfiliação. Os dois advogados têm mantido reuniões privadas com Bolsonaro.

Bivar foi alvo de operação de busca e apreensão feitas pela Polícia Federal nesta terça no âmbito de uma investigação sobre suspeita de fraudes no uso de recursos do fundo partidário em candidaturas-laranjas do partido.