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São Paulo - Os vereadores paulistanos receberam mal a divulgação do ranking de avaliação de seus mandatos feita pela organização não-governamental (ONG) Voto Consciente. De acordo com o estudo, 90% dos vereadores ficaram abaixo dos seis pontos de média e muitos reclamaram dos critérios usados nas composições de nota.

A apuração, feita na reta final de mais da legislatura na Câmara de São Paulo e em plena campanha eleitoral, onde diversos vereadores tentam a reeleição, mostra que a avaliação não é das melhores.

O trabalho considerou um período de 41 meses, iniciado após o começo desta legislatura, em janeiro de 2013 e se estendeu até maio de 2016.

Dos 55 vereadores eleitos, apenas cinco não buscam reeleição este ano e 43 entraram na lista de avaliação.

Entre os vereadores elencados pelo Voto Consciente, estão com média acima dos seis pontos os petistas Paulo Fiorilo, com 7,3; Alfredinho, com 6,4; Reis, com 6,3 e o líder da gestão do prefeito Fernando Haddad, Arselino Tatto, com 6,2 pontos.

Abaixo da média, a reação do restante dos vereadores foi negativa e imediata. Líder da bancada tucana, Aurelio Nomura, disse que o resultado do estudo mostra "a falta de compreensão, do Voto Consciente, de como funciona esta Casa de Leis" e a "confusão criada nos cidadãos". Ele, que ficou com 5,2 na média geral, alegou falta de informações suas no estudo, como presenças em plenário e em comissões. Já Gilberto Natalini (PV), outro que também exerce papel de destaque na Casa e ficou com uma nota geral de 5,2 pontos. Para ele, os critérios do estudo estão engessados e desconsideram "o santo direito da oposição fazer a obstrução dos trabalhos", que é quando os parlamentares se recusam a fazer avançar textos com os quais não se identificam.

"O jogo do parlamento é muito mais complexo do que o considerado pelo Voto Consciente. Sou ativo, e não fato em nenhuma reunião plenária. Agora, os critérios são mecânicos e numéricos, desconsideram a forma como fazemos oposição", afirmou.

Ele cita como exemplo um dos itens usados no trabalho, que é o de aprovação de CPIs. "Onde é que já se viu algum vereador conseguir abrir CPI no governo do PT? Tenho mais de 70 representações populares contra o Haddad e vou para a Justiça porque não consigo fazer investigação na Câmara. Isso é a coisa mais ridícula e injusta que já vi", completou.

Falta fiscalização

Uma das organizadoras do ranking, a vice-diretora do Voto Consciente, Rosangela Giembinsky, afirmou que as notas refletem a quantidade de informações tornadas públicas para as pessoas. Ela explica que os vereadores precisam ter em mente o papel deles na sociedade e ampliar o acesso da população no dia-a-dia de suas atividades.

"Temos tido candidatos que não tem mais tanta vocação para o parlamento. É muito dinheiro gasto na campanha, o fato de ser engraçadinho e acabar se elegendo. Isso tudo se reflete no parlamento, que é fraco e desvalorizado por parte desses parlamentares", analisa.

Para ela, o principio máximo do vereador é o de fiscalizar, mas poucos exercem este ofício, muito pelo total desinteresse no trabalho ao qual foram eleitos nas urnas.

"O Legislativo deixa a desejar na fiscalização e deixa para o Executivo o papel de legislar. Nosso parlamento não pega para si a oportunidade de fazer diferença na cidade", diz ela, citando como exemplo a omissão da Casa na votação da chamada Lei Uber, editada por meio de decreto do prefeito e não projeto de lei da Câmara.

Rosangela defende uma reforma parlamentar que dê conta de diminuir os lapsos de atividade dos vereadores, que em muitos casos "vivem em um mundo soberano".

A ONG considerou apenas os vereadores que exerceram mandato por pelo menos 24 meses e excluiu aqueles que se elegeram deputado em 2014.