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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Franklimberg Ribeiro de Freitas, foi demitido nesta terça-feira pela ministra Damares Alves e atribuiu sua saída à pressão do secretário de Assuntos Fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antonio Nabhan Garcia.

Algumas horas depois de Freitas ter anunciado sua própria demissão no início da tarde aos funcionários, o ministério confirmou, em nota, sua saída.

"O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos confirma a exoneração do general Franklinberg de Freitas do cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio e o agradece pelo trabalho de excelência exercido à frente da instituição", diz o texto.

Depois de reunir os servidores no auditório do órgão para anunciar sua saída, Freitas não poupou palavras para apontar os responsáveis por sua saída. De acordo com uma fonte presente a seu discurso de despedida, o ex-presidente foi explícito ao apontar Nabhan Garcia como o nome que concentrou a pressão dos ruralistas pela sua saída e reclamou que o presidente Jair Bolsonaro estava "muito mal assessorado".

Nabhan, disse Freitas, "saliva ódio" ao falar de indígenas e não tem conhecimento algum sobre o arcabouço jurídico de proteção às populações nativas.

General da reserva, Freitas assumiu pela segunda vez a presidência da Funai. A primeira, no governo de Michel Temer também terminou com seu afastamento, em maio de 2018, sob pressão de ruralistas e do PSC, partido do então líder do governo, André Moura, que cobrava nomeações no órgão.

Freitas disse, ainda, que lhe cobravam que fizessem coisas "fora da legalidade".

Entre os servidores da Funai as especulações são de que Freitas pode ser substituído por Azelene Inácio, ex-diretora do órgão, que chegou a ser cogitada para a presidência no início do governo Bolsonaro. Próxima da bancada ruralista e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, Azelene foi demitida do cargo de diretora em janeiro a pedido do ministro da Justiça, Sergio Moro, porque é investigada pelo Ministério Público.

O nome de Azelene é visto com restrições por servidores do órgão. De acordo com uma segunda fonte, a ex-diretora é considerada como uma servidora da bancada ruralista --uma aproximação que ela mesma não nega-- e que iria acabar com o trabalho de proteção aos indígenas, central para a Funai.

 

 

 

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)