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O ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (sem partido), que nos últimos meses tem se dedicado a articular a construção de uma alternativa eleitoral de centro, disse nesta quarta-feira, 9, que "o momento é de aproveitar o clima favorável a mudanças e não de pensar em 2022".

"Na vida e na política existe a questão do tempo. Não podemos errar no tempo e o tempo para a gente construir uma alternativa está muito longe do hoje", afirmou. As declarações foram feitas após o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dizer que "o centro democrático precisa começar a trabalhar já" para quebrar a polarização política.

Hartung participou nesta quarta de almoço com empresários promovido pelo Pensamento Nacional das Bases Empresariais (PNBE) em São Paulo, onde foi questionado mais de uma vez sobre 2022 e a necessidade de conter a polarização.

Para o ex-governador, não é hora de pensar em eleições, mas de aproveitar o momento favorável para reformas como a da Previdência, a tributária e a do Estado. "O papel nosso não é ficar obcecadamente olhando para 2022. Meu olhar é para o hoje e dá para fazer muita coisa", disse.

Segundo ele, após muitos anos a sociedade finalmente está favorável a mudanças que até pouco tempo seriam consideradas impopulares. "A BR Distribuidora foi privatizada sem que houvesse uma manifestação na porta de ninguém. Isso não é normal", declarou. Segundo Hartung, o centro já ocupa um espaço maior no debate político hoje do que há dois anos.

Embora tenha divergido de FHC sobre o melhor momento para a construção de uma alternativa de centro, Hartung fez elogios ao ex-presidente e disse que o petista Luiz Inácio Lula da Silva recebeu uma "herança bendita" do tucano.

Questionado sobre uma eventual candidatura presidencial do apresentador Luciano Huck, de quem é próximo, o ex-governador desconversou. Disse que Huck está dedicado à formação de novas lideranças e ao debate sobre a modernização de políticas públicas. "Não sei se agora é hora de discutir isso."

Hartung também evitou críticas ao presidente Jair Bolsonaro, mas questionou a "falta de liderança" e demarcou diferenças em relação à extrema-direita, ao fazer a defesa do Supremo Tribunal Federal e de outras instituições democráticas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.