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Quando a indústria mapeia tendências para o ano seguinte, é inevitável tratar dos avanços da tecnologia e das transformações para o mercado. Em especial com o panorama de ameaças em 2017, as tendências apontam para a crescente necessidade de controles avançados para identificar vulnerabilidades e mitigar riscos.

No entanto, muitas vezes, essas tendências podem parecer um tanto distantes do nosso dia-a-dia. O que motivaria um usuário ou corporação a ficar mais alerta para as técnicas do cibercrime? Não é a tecnologia apenas. Ao contrário, é a necessidade ou efeito social da tecnologia no cotidiano.

Com as eleições 2018, o Brasil vai viver um evento relevante, que podemos considerar de grande importância para a gestão de cibersegurança. Basta observar exemplos recentes que fazem ponte com a nossa realidade. Processos eleitorais pelo mundo em 2017 mostraram a extensão dos potenciais riscos. Ofensivas contra comitês/campanhas (França), espionagem e vazamento de informações (EUA), fake news. Será este cenário diferente no Brasil?

Não será. Com milhões de usuários conectados em redes sociais, envolvidos em debates sobre política, opinando sobre seus interesses para o país, temos um motivador nacional, com alto poder de engajamento. Em geral, o cibercrime aproveita esse tipo de interesse comum para explorar novas oportunidades.

Cabe ressaltar que já conhecemos as possíveis técnicas aplicadas para explorar esse evento: ataques de negação de serviço, phishing, aplicações indesejadas para espionagem, links maliciosos em plataformas móveis, ataques DNS, para mencionar alguns.

Ainda que essas técnicas não sejam bem-sucedidas, podemos afirmar que apenas o impacto de colocar em questão a legitimidade do processo eleitoral é suficiente para lembrar que uma política de cibersegurança importa.

Segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV), atualmente 15% do total dos cadastros do Twitter (49 milhões de contas) são robôs. Os robôs sociais representam 10% das interações políticas no Brasil. Durante o processo de Impeachment em 2016, chegaram a representar 20% das interações a favor do movimento.

Por outro lado, o processo eleitoral eletrônico suscita questionamentos sobre confidencialidade e veracidade dos dados, além da privacidade dos eleitores. Diante desse cenário, de imediato, teremos um grande desafio para afiançar a segurança das urnas eletrônicas e impedir a interceptação de dados.

A longo prazo, temos um desafio ainda maior: estabelecer as regulamentações necessárias para a publicidade eleitoral online, financiamento e apoio empresarial, mas sobretudo, criar uma legislação nacional para reger a responsabilidade, a privacidade e a confidencialidade das informações. Diante da transformação digital, não temos um regulamento que trate a contento destes temas, que emergem com a realização desse processo eleitoral.

Embora o tema seja eleições, a importância da segurança cibernética implica este evento como implica a todas as empresas. Enquanto o cibercrime busca ludibriar usuários com técnicas pela web para atingir suas organizações, os líderes corporativos enfrentarão ainda mais desafios para conscientizar usuários, garantir os investimentos dedicados à área e manter seus ecossistemas e dados seguros.

Cleber Ribas é vice-presidente de Vendas da BlockBit

cribas@blockbit.com