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- As operadoras do setor de saúde lançam mão de médicos auditores para contraindicar ou modificar indicações cirúrgicas. Esse método é falho, pois o auditor nem sempre é especialista na área e a sua opinião se baseia em relatórios de exames não tendo nenhum contato com o paciente e seu médico.

Um fato preocupante surgiu recentemente: empresas estrangeiras que fornecem uma segunda opinião baseada em dados fornecidos via internet, analisados por médicos no exterior. Seguradoras americanas admitem que para cada dólar gasto com a segunda opinião economizam três em tratamentos. Quando a segunda opinião é solicitada pelo paciente por não estar convencido do diagnóstico ou tratamento, é ético. Porém, quando é uma imposição da fonte pagadora a questão da ética é controversa. Pelo menos a consulta com o segundo médico é presencial, imprescindível para a relação médico-paciente. Havendo concordância na indicação, ótimo. E se não houver? Qual é a opinião correta? Qual dos médicos assumirá o tratamento? Ouve-se uma terceira opinião? No caso das empresas que fornecem opinião "on-line" é mais grave. A segunda opinião se baseia também em exames de imagem e em relatórios nem sempre completos. Sem citar que o marketing dessas empresas afirma que seus médicos são importantes especialistas sugerindo superioridade em relação ao original.

A consulta médica envolve avaliação da saúde pregressa do paciente, sua queixa atual, exame físico para detectar sinais e a análise de exames complementares. A conduta não pode se basear apenas no último item. Isto sem levar em conta um fator que só se avalia na conversa "olho no olho": as implicações psicológicas que acompanham o paciente. Como ele fica no meio da tempestade de dúvidas quando só recebe respostas de um atendente que se resumem a sim ou não?

A segunda opinião é de responsabilidade suprema e deve ser dada por um colegiado. Há tempos preconizo a necessidade de colegiados de especialistas nos hospitais, que segundo diretrizes internacionais baseadas em evidências médicas, dentro de um consenso, formulem a melhor indicação para cada caso. Seria a melhor solução para o médico, hospital, fonte pagadora e principalmente o paciente, para quem o prejuízo não é apenas econômico, mas físico e moral.

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Cirurgião de coluna na Beneficência Portuguesa