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A Alcan anunciou ontem o desmembramento de seus negócios em todo o mundo, com a criação da Novelis . No Brasil, a nova empresa ficou com o equivalente a 80% dos negócios da Alcan, incluindo a produção de laminados de alumínio. "Ela nasceu sendo a maior fabricante mundial de laminados de alumínio pronta para operar de forma independente", diz o presidente da Novelis América do Sul, Tadeu Nardocci, ex-presidente do grupo de negócios de laminados da Alcan.No resto do mundo, a canadense Novelis representa aproximadamente 26% do faturamento de US$ 23 bilhões da Alcan em 2003. O executivo estima que o faturamento obtido nas unidades que agora correspondem à Novelis foi de US$ 620 milhões em 2004. Os ativos da subsidiária brasileira são da ordem de R$ 1,6 bilhão.O que levou a Alcan ao desmembramento, segundo Nardocci, foi o desejo de separar os negócios de produção de lingotes de alumínio, exposto a maior volatilidade devido às oscilações dos preços das commodities, dos negócios de laminados, menos sujeitos a oscilações. "Os negócios da Novelis são baseados na conversão do metal para o produto ao cliente", explica.As empresas esperam que suas ações se valorizem no mercado, já que seus acionistas serão donos de dois negócios distintos.Nardocci afirma que o Brasil é o único país em que a Novelis ficou com uma parcela da produção de alumínio primário.Segundo ele, isso não contradiz a divisão de negócios das empresas porque o alumínio produzido é prioritariamente voltado para abastecer a unidade de produção de laminados em Pindamonhangaba, em São Paulo. "A separação, nesse caso, geraria prejuízo para as plantas de alumínio primário", afirma o executivo. A Novelis tem projetos de investir US$ 26 milhões em tecnologia e melhorias de processo no Brasil em 2005. Entre as metas da empresa estão a ampliação da capacidade de produção das unidades de chapas e folhas, a transformação da fábrica de Aratu na Bahia em um centro de excelência para a produção de placas e a modernização da unidade de alumínio primário em Ouro Preto. "Vamos eliminar os gargalos e investir na manutenção da nossa liderança", afirma.Segundo Nardocci, a empresa pretende mudar sua forma de atuação, buscando se aproximar mais do cliente. "Teremos uma dinâmica de negócios mais rápida e criativa", diz. O projeto de desmembramento, anunciado em maio de 2004, só saiu do papel agora porque a Novelis queria poder atuar de forma independente em escala global. Outro fator que levou ao desmembramento foi a determinação do órgão regulador europeu de que a Alcan vendesse uma unidade de laminação para poder adquirir a Pechiney em dezembro de 2003.No Brasil, os ativos da Novelis incluem também nove usinas hidroelétricas, todas em Minas Gerais, com capacidade de gerar 117 MW e um centro de reciclagem de alumínio com capacidade para 80 mil toneladas por ano. A empresa detém também 25% de participação na Petrocoque S.A., em Cubatão (SP), responsável pela produção de coque calcinado.Ela atuará em quatro continentes, com 37 instalações industriais em 12 países e cerca de 14 mil funcionários. No Brasil, terá 2,1 mil funcionários e capacidade de produção de 300 mil toneladas de chapas de alumínio, 22 mil toneladas de folhas de alumínio, cerca de 110 mil toneladas de alumínio primário, 150 mil toneladas de alumina.No Brasil, os ativos da Novelis incluem nove usinas hidroelétricas e um centro de reciclagem