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Somente 12,7% dos viajantes brasileiros acreditam que a reserva feita diretamente no hotel seja o melhor caminho para encontrar tarifas mais baratas. Por outro lado, 68,3% creem que sites de reservas de hotéis sejam capazes de oferecer preços mais econômicos.

As conclusões são de estudo da fornecedora de tecnologia para o setor hoteleiro SiteMinder; para tal, a multinacional de origem australiana ouviu 1.040 pessoas das classes A, B e C.

“O brasileiro não acredita que o preço menor vai ser [obtido] ligando no hotel ou fazendo reserva direta com ele, mas através de intermediários como Booking, Hoteis.com ou Expedia”, analisou o diretor para Brasil e Portugal da SiteMinder, Mateus Coelho – que classifica a visão como “interessante”.

Segundo ele, a conclusão sugere que “as agências de viagem online [também conhecidas como OTAs] estão fazendo trabalho fantástico e conseguindo preços mais baixos, ou pelo menos fazendo trabalho de marketing muito forte sobre isso”.

Ao mesmo tempo, os números demonstrariam que “os hotéis não estão fazendo trabalho muito bom em relação às reservas diretas”. “Muitas vezes o mesmo quarto e noite estão mais caros no hotel do que na OTA, o que não tem lógica”, argumentou Coelho.

“Pode parecer óbvio, mas se o hotel tiver disciplina para colocar preço menor ou igual ao da agência online no próprio site, 50% do problema já estaria resolvido. Muitos deles não fazem nem isso.”

Vale observar que muitos contratos de distribuição entre OTAs e hotéis contam com cláusulas de paridade que impedem a oferta de um preço menor pelo hotel. “Mas paridade quer dizer igualdade, e não que o preço do hotel vai ser mais caro”, lembrou o diretor da SiteMinder.

Neste caso, uma opção seria a oferta de vantagens – como café da manhã grátis ou possibilidade de check-in flexível – que torne a reserva direta com os hotéis mais atrativa.

Agências de turismo online e hotéis não foram os únicos elementos da cadeia hoteleira lembrados pelos brasileiros: para 8,2%, agências de viagens ou operadores turísticos são os mais preparados para a oferta do menor preço para estadia. Já 4,6% depositam esperanças em equipe de recepção das próprias redes.

A empresa também investigou os desejos tecnológicos do hóspede para o futuro: a opção do check-in no celular para evitar a recepção foi lembrada por 59,5%, enquanto 56,2% citaram a capacidade de reservar um quarto específico de forma digital. Já 42% querem controlar luzes e ar condicionado através de celulares.

Parceria

Atuando no Brasil há aproximadamente um ano, a SiteMinder divulgou ontem (25) uma parceria com o sistema de gestão hoteleira (ou PMS, no jargão técnico) CMNet, que pertence à brasileira Totvs.

Global, o acordo prevê a conexão das duas plataformas e pode beneficiar os cerca de 2,5 mil hotéis brasileiros que utilizam o CMNet.

Entre os serviços ofertados pela SiteMinder (que tem a plataforma baseada em nuvem) estão ferramentas de gestão de canais, sistemas de reserva online ou de distribuição global e um criador de websites, além de inteligência empresarial hoteleira.

A base global da empresa soma 30 mil hotéis que viabilizaram 80,6 milhões de reservas processadas com ajuda da tecnologia em doze meses até junho de 2018. Tais vendas geraram aproximadamente US$ 26,5 bilhões em receitas.