Publicado em

Apesar da volatilidade do dólar no Brasil, o Itaú Unibanco estima inflação sob controle em 2018 e 2019, com altas de 3,8% e 4,1%, respectivamente, e que o câmbio médio seja de R$ 3,70, nos dois períodos.

Nesse cenário, a projeção é de que o repasse cambial aos preços da economia brasileira fique em cerca de 7,5% (uma desvalorização do real ante o dólar de 10%, por exemplo, provocaria um aumento de 0,75 ponto percentual na inflação).

No entanto, em ambiente de maior estresse no mercado, com o dólar a R$ 4,50 e repasse cambial de 10% para a inflação, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) poderia subir de 5,5% em 2019, ficando acima da meta (de 4,5%), demonstrou ontem o economista-chefe do Itaú, Mário Mesquita.

Esse é cenário mais pessimista traçado pela instituição e leva em conta aumento maior de juros nos EUA em relação ao sinalizado pelo Federal Reserve (Fed). A instituição já subiu juros duas vezes neste ano e indicou que pode fazer mais duas altas até o final de 2018. “A economia dos Estados Unidos está operando com desemprego de 3,9%, ou seja, uma economia aquecida. Se ficar ainda mais aquecida, o Fed pode realizar cinco altas, o que pressionaria mais a taxa de câmbio aqui no Brasil”, comenta o economista-chefe. Ambiente com taxa de câmbio maior que R$ 4,00 e repasse cambial superior a 7,5%, exigirá uma resposta de política monetária, entende Mesquita. PÁGINA 4