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SÃO PAULO - Quem já perdeu um animal de estimação sabe quão grande é o desafio de encontrá-lo. Os donos recorrem a cartazes em postes e às redes sociais, mas ainda assim as chances de localizar o pet são pequenas. Por isso, o empreendedor Fábio Piva e sua sócia Fernanda Andaló criaram o aplicativo Crowdpet. O sistema usa reconhecimento facial para buscar combinações entre as características de cães e gatos achados e perdidos.



A proposta é atuar como uma grande base de dados capaz de conferir fotos dos bichos que os donos perderam e aquelas dos animais que alguém encontrou vagando pelas ruas. Segundo Piva, a Crowdpet é a primeira solução a oferecer um serviço reativo e automatizado de animais achados e perdidos com reconhecimento facial e sem necessidade de dispositivos adicionais, como coleiras GPS.



O dono cadastra no aplicativo uma foto do pet perdido. Quem encontra um animal cadastra outra. O sistema cruza as características das fotos disponíveis para verificar as que combinam entre si. Quando identifica uma combinação possível, o aplicativo aviso o dono sobre a chance de o animal ter sido encontrado.



"Fotos e dados de local, data e hora são automaticamente anotados", diz Piva. São analisadas as características faciais, tipo e cor de pelagem, aspectos corporais, se tem ou não cauda e proporções.



No rastro dos perdidos



Cada foto cadastrada gera um rastreamento no sistema de geolocalização do aplicativo. Assim, quando o dono buscar por aquele animal, é possível ver as regiões em que ele passou de acordo com as fotos que as pessoas que o encontraram foram tirando e cadastrando no sistema.



Os resultados mais prováveis são apresentados aos usuários, que comparam os animais considerados similares.



A plataforma tem também espaço para a busca de voluntários que doam seu tempo para a causa animal, área para ofertar recompensas para auxiliar na busca e suporte a abrigos e associações protetoras de animais.



Dentro do aplicativo, essas entidades conseguem fazer um mapeamento individual de animais de rua, a fim de determinar com mais precisão onde estão os focos superpopulados para criar ações. O Crowdpet também tem uma lista com dados e fotos de animais disponíveis para doação, para auxiliar na redução da população de cães e gatos abandonados.



Saúde pública



Para os usuários, o aplicativo é gratuito. Os empreendedores pretendem ter como fonte de receita as prefeituras para as quais irão vender o serviço, pois animais abandonados são uma questão a ser tratada em políticas de saúde pública. Além disso, os sócios planejam estabelecer parcerias para anúncios dentro do aplicativo e outras formas de publicidade.



A Crowdpet conduz atualmente um piloto na cidade de Campinas, interior de São Paulo. O projeto está no primeiro ciclo de fomento a pesquisas da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Os empreendedores esperam que, até o fim de 2016, a plataforma esteja disponível na capital paulista.