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Passado o boom dos novos players no mercado de clínicas populares, a expectativa é que o segmento atravesse um processo de consolidação nos próximos três anos. Com isso, a tendência é que o conceito “evolua” e influencie o mercado de saúde particular.

Na opinião da gerente de pesquisas em saúde da Frost & Sullivan, Rita Ragazzi, o modelo foi favorecido pela crise econômica e com isso o número de investidores interessados no mercado multiplicou. Passado esse primeiro momento, ela acredita que o próximo passo seja aperfeiçoar o modelo de negócio para que sobreviva no longo prazo. “Algumas vão ficar no básico, mas a tendência é que evoluam porque elas ainda vão crescer, mas o mercado estará cada vez mais competitivo”, aponta.

Hoje, as grandes redes já começaram a captar outros públicos e a oferecer um maior número de especialidades. Agora, “devemos ver cada vez mais modelos como policlínicas, centros especializados e um maior uso da tecnologia para acompanhamento do paciente ou monitoramento remoto.”

Para ela, o conceito ‘popular’ ficou ultrapassado e a tendência é que até serviços de maior valor agregado com preços acessíveis passem a ser oferecidos pelas clínicas.

Outra tendência no mercado é que surjam acreditadoras e selos de qualidade próprios para o mercado. “O modelo mais descentralizado ou menos hospitalocêntrico é uma tendência mundial e as clínicas populares provaram ser viáveis e o caminho para muita gente”, descreve. Rita ainda lembra que hoje existe uma discussão no governo sobre a possibilidade de mudar a regulamentação dos planos de saúde, contida na Lei 9.656 de 1998. Caso isso venha a ocorrer, as clínica populares poderão ganha um espaço ainda maior no atendimento primário.

Até agora, o modelo não tinha influenciado as clínicas particulares em geral, mas a tendência, de acordo com Rita, é que isso mude com a própria evolução das “populares”.

“Hoje uma grande tendência também são os negócios voltados para o empreendedorismo social. Modelos que tenham impacto social”, diz o professor e coordenador do curso de Gestão de Clínicas Médicas e Odontológicas do PEC FGV , Marcelo Aidar.

Junto com as clínicas, ele ainda destaca que outros nichos que tendem a crescer na área da saúde são aqueles voltados para economia compartilhada. Um exemplo é o Doutor Já que permite que clientes tenham acesso a médicos através do aplicativo.

Tanto as redes populares quanto os aplicativos que ajudam a melhorar o fluxo de demanda, segundo ele, vêm a casar com a grande quantidade de clínicas que têm surgido nos últimos tempos. Segundo ele, a população médica cresceu 14,9% no período de 2010 a 2015, contra um crescimento de apenas 5,4% da população em geral, criando um aumento de concorrência e necessidade de uma melhor gestão.

Pensando nisso, a rede Docctor Med, firmou uma parceria com o aplicativo Dr Mob. A companhia investiu R$ 1,4 milhão na tecnologia, que deve ser disponibilizada para seus franqueados e pacientes na primeira quinzena de abril. “O mercado vai passar por uma consolidação, mas só vai predominar rede bem estruturada. A clínica popular tem um alto nível de complexidade. Se não tiver os processos bem desenhados, deixa de ser rentável”, diz o fundador da Docctor Med, Geílson Silveira.

Na corrida para ganhar uma posição no mercado nos próximos três anos, Silveira, conta que já possui 39 clínicas implantadas, 11 a serem inauguradas no primeiro semestre e outras 10 para o segundo semestre. Entre as cidades alvos para 2018 estão Belo Horizonte (MG) e Rio de Janeiro (RJ). Para 2019, a franquia cogita realizar aquisições de redes menores, com três ou quatro unidades.

A projeção da rede para este ano é de atingir 30% de crescimento do faturamento, contabilizando unidades novas e recém-inauguradas. Se consideradas apenas as que possuem mais de um ano de operação, a alta será de 20%.