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São Paulo - Em estágio bastante avançado em São Paulo, a digitalização de sistemas públicos de estacionamento rotativo - ou simplesmente Zona Azul - está animando players de tecnologia. A expectativa é que mais cidades sigam o caminho trilhado pela capital paulista.

Funcionando desde julho passado, a venda do Cartão Azul Digital (ou CAD) através de aplicativos já substituiu totalmente o antigo modelo de talões. Até agora são 13 as empresas que estão credenciadas pela Prefeitura para prestação do serviço.

O número alto de prestadores é fruto da descentralização do processo, que não previu a existência de uma concessionária única ao abrir concorrência via chamamento público. "São Paulo está sendo pioneira no sentido de liberar a Zona Azul para várias empresas. Acreditamos que, por estar dando certo, outras capitais devem adotar em breve o mesmo modelo", afirma o diretor da desenvolvedora Areatec, Fabio Eduardo Cressoni Batistella; a empresa é responsável pelo aplicativo Digipare.

A expectativa de Batistella é compartilhada por outros executivos que estão atuando no segmento. "Vários municípios que usam São Paulo como referência já estão pensando na implementação. Já recebemos contato de muitos municípios perguntando o que poderíamos oferecer", afirma o proprietário da Inova Soluções (desenvolvedora do Zona Azul Fácil), Luiz Fernando Simone. "A maioria das cidades não tem a mesma retaguarda tecnológica de São Paulo, mas já estamos conversando com algumas prefeituras", conta o CEO da desenvolvedora Mobile2you, Caio Bretones - que cita as paulistas São Bernardo do Campo e Sorocaba como exemplos de contatos em curso após o início da operação do Estaciona App. "Vemos com bons olhos o segmento de estacionamentos públicos usando plataformas digitais e torcemos para que mais cidades tenham o mesmo entendimento [de São Paulo]", argumenta o diretor de comunicação e relacionamento da 4all, Thiago Ribeiro. "Claro que tudo depende do tamanho da cidade", observa Batistella, da Areatec, "mas em Ribeirão Preto [600 mil habitantes], por exemplo, haveria espaço para fazer algo semelhante ao que é feito na capital."

Operação

Mais de 40 mil vagas são operadas pela Prefeitura paulista através do sistema da Zona Azul. O chamamento para a operacionalização da venda de créditos digitais está aberto por tempo indeterminado e, até agora, tem atraído perfis diferentes de empresas. Com exceção da Areatec - especializada no segmento e prestando serviços para concessionárias de estacionamentos rotativos em pelo menos 90 cidades -, todas as empresas ouvidas pelo DCI realizam sua primeira empreitada na vertical.

No caso da Inova Soluções, explica Simone, a especialidade era a oferta de softwares de gestão para empresas e também ao poder público. "O Zona Azul Fácil foi nosso primeiro app", conta o executivo. "Hoje, somos vice-líder na venda de CADs em fevereiro; fomos em janeiro também". Um dos trunfos da empresa é venda de créditos via boleto sem a necessidade de sair do app. Desde o início da operação, a solução da Inova já adquiriu 1,1 milhão de CADs, que custam entre R$ 4,50 e R$ 5. Após a revenda, o retorno das empresas em cima dos CADs ronda os 10%.

Atuando como uma espécie de marketplace de aplicativos, a 4all já operava a venda de créditos para cartões de transporte na capital. A ideia é que, com o passar do tempo, explica Thiago Ribeiro, uma integração de servoços ocorra na plataforma. "No segundo semestre já devemos ter soluções all-in-one , que permitem uma série de experiências no mesmo ambiente", afirma. A gama de opções vai desde a recarga de cartões de transporte até a integração com restaurantes ou outros estabelecimentos.

No Estaciona App da Mobile2you, uma das apostas é absorver o mercado corporativo. "Atendemos com um valor diferenciado quem tem frota própria e compra com mais volume", afirma Caio Bretones. Por outro lado, o executivo gostaria que a transição da Zona Azul tradicional para a digital fosse menos acelerada. "Como mudou muito rápido muita gente foi deixada de lado, como o público idoso"; pontos de venda como bancas de jornal e comércios podem se credenciar e atuar como ponto de recarga de créditos, mas o ecossistema ainda está se desenvolvendo aos poucos.

Para Fabio Batistella, a expansão da rede credenciada é um caminho natural. "A utilização dos apps está atingindo um ponto de equilíbrio. Já o ponto de venda vai subir bastante porque ainda há alguma resistência ao uso da tecnologia. Em 2017 minha expectativa é que eles tripliquem".