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O mercado de aulas de dança movimenta-se, conforme o ritmo da economia, já que é considerado um investimento complementar, quase supérfluo. O setor envolve figurinistas, cenógrafos, professores, maquiadores e engloba mais de 50 mil profissionais. Por ainda não existir uma associação reguladora do segmento, os números do mercado são informais, mas estimativas de especialistas indicam que operam no Brasil cerca de 10 mil academias de dança.Apenas as escolas movimentaram algo em torno de R$ 1,5 bilhão em 2002. Mais da metade das escolas de dança concentra-se no Estado de São Paulo, e a Capital contabiliza cerca de 700 unidades. De acordo com Cláudio Vinhas, sócio da RV Promoções , especializada em eventos de dança há 12 anos, 95% do mercado é formado por micros e pequenas empresas. "Este ano os negócios estão aquecidos e estimamos um incremento de 25% no setor, por conta da divulgação dos eventos e da maior procura dos alunos em lidar com o corpo, como uma alternativa a mais à saúde", diz.A RV realiza 15 festivais ao ano, com mais de 3 mil espectadores por evento. No último inverno, a empresa organizou um festival de dança de 15 dias, em Campos do Jordão (SP), que movimentou R$ 5 milhões e envolveu mais de 200 bailarinos, por exemplo. Em média, a RV investe cerca de R$ 8 mil por evento, mas já chegou a gastar R$ 200 mil há alguns anos num evento no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista. A empresa faturou, em 2002, cerca de R$ 50 mil por mês e espera um incremento de 25% este ano.Mesmo fora de moda, certos ritmos de dança ainda rendem bons lucros às companhias. A Luxor , especializada em dança do ventre, opera em regime de franquia e tem sete unidades na Capital, sendo três próprias.São mais de 800 alunas que pagam R$ 65 por mês. O curso dura três anos. Em 2002, a escola cresceu cerca de 50% e este ano deve manter esse percentual, segundo Joyce Grilo, gerente da escola. Ela revela que a Luxor abriu três unidades este ano e irá inaugurar outra até o final de 2003. "Cobramos cerca de R$ 15 mil para conseguir os programas de aula e a marca da escola. A expectativa de retorno é em seis meses", comenta Joyce. Ela explica que a taxa de royalties é 12% do lucro da escola por mês, ou cerca de R$ 10 mil.DivulgaçãoO Núcleo de Dança Nice Leite/Ilara Lopes oferece cursos de formação em balé clássico e aulas de flamenco e alongamento. São 150 alunos, sendo 60% crianças dos três aos 15 anos de idade. As aulas custam cerca de R$ 150 por mês. "Tínhamos duas escolas no mesmo bairro e, com a estagnação dos negócios, devido à crise econômica, nos unimos para criar o Núcleo e economizar nos custos", revela Ilara Lopes, sócia. O Núcleo participa de 40 festivais ao ano.Criada há 35 anos, a Especial Academia tem 200 alunos e cobra R$ 180 por mês. Segundo Guivalde Bonone, proprietário, 70% do público é feminino, das classes A e B. A escola investe R$ 12 mil por ano em infra-estrutura, marketing e eventos e afirma ser oficializada pela Secretaria Municipal da Educação.Bonone explica que "os negócios retraíram este ano, por conta do baixo poder aquisitivo das pessoas, devido à recessão econômica". Para driblar a crise, a escola criou um grupo de dança que agora divulga seus serviços em festivais e eventos.Localizada na Vila Mariana, há 10 anos, a Academia Dança e Movimento gira R$ 150 mil por ano e espera um incremento de 20% este ano. A escola oferece nove ritmos de dança aos cerca de 200 alunos, entre gafieira, bolero, ventre, axé e jazz. As aulas, de segunda a sábado, custam R$ 60. Paulo Ramalho, proprietário, afirma que o diferencial é "o atendimento personalizado ao cliente".