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São Paulo - Desde seu surgimento, a internet cria oportunidades de novos negócios, e, mais recentemente, algumas atividades extraem a matéria-prima dos "rastros" de pessoas físicas e empresas deixados na web quando clicam no "li e aceito", tornando públicos dados ao preencher cadastros. É nessa onda que a BigData Corp quer surfar daqui para frente.

"Uma infinidade de serviços pode ser oferecida quando se consegue tirar inteligência da massa amorfa e multifacetada do gigantesco e caótico volume de informações da internet, ajudando empreendedores a melhorar sua performance nas vendas e na fidelização de consumidores", contou ao DCI o CEO e fundador da BigData Corp., líder na América Latina em tecnologia de big data, Thoran Rodrigues.

Rodrigues destaca que "existe um mundo paralelo girando na internet e que poucos veem". Esse universo "cinza" abriga mais de 20 milhões só de pessoas físicas vendendo na internet no Brasil, via OLX, Mercado Livre e outros marketplaces.

"A renda extra obtida com atividades na economia digital está fora dos arquivos formais de bancos, lojas e empresas em geral, que muitas vezes deixam de dar crédito por desconhecimento da situação financeira real de seus clientes", ressalta. Esse movimento, argumenta ele, deve continuar avançando, dada a alta aceitação dos brasileiros pelas novas tecnologias e volume de dados gerados com aplicativos e cadastros.

Ele explica ainda, que a combinação da automação de processos de captura de grandes volumes de dados - com a estruturação dos mesmos em informações coerentes - permite análises, identificação de tendências e validação de hipóteses, com rapidez e uma precisão sem precedentes. "Reunir, organizar e formatar os dados dispersos consomem 70% de qualquer tarefa relacionada a análise, planilha ou relatório de dados. Resta pouco tempo para o que realmente importa e cria valor, que é decifrar e dar sentido ao que foi captado", explica Rodrigues.

Mar de oportunidades

Para que as empresas se dediquem à atividade central, a BigData Corp. capta e trata informações por meio de três produtos. O primeiro é o BigWeb, que ajuda a estudar o mercado e permite gerar leads, isto é, identifica oportunidades de negócios a partir das informações obtidas na web. Já o BigBoost reúne todos os dados disponíveis na internet em uma única API, isto é, em uma única interface de aplicativos. Por fim, o BigID lança mão da riqueza dos dados coletados na internet para validar automaticamente a identidade de uma pessoa ou empresa em transações on-line.

O BigID alavanca informações da varredura semanal em mais de 650 milhões de sites de internet monitorados - dos quais 20 milhões estão no Brasil - reunindo uma base de dados sobre pessoas e empresas de 7 petabytes (equivalente a cerca de 45 bilhões de fotos). "Processamos hoje mais de 18 milhões de operações mensais apenas para o BigID", comenta Rodrigues. Segundo o CEO, a BigData Corp. traduz e agrega inteligência a conteúdos espalhados na web - nos dados contidos em textos, sons, imagens, vídeos - oriundos de redes sociais, sites noticiosos ou de qualquer outro endereço. Redes de varejo, empresas de crédito, concessionárias de serviços estão entre os clientes, que já passam de 200, dos quais 15 internacionais. "Todos têm em comum a busca de maior conhecimento de seus clientes, pessoas físicas ou jurídicas, e os sinais que imprimem na internet", acrescenta o CEO da empresa.

Dentro da Lei

Rodrigues afirma que a BigData Corp. trabalha com o que é permitido pelo Marco Civil da Internet. Para ele, no entanto, a legislação carece de regulamentação em vários aspectos, pois ainda não faz qualquer menção à informação de domínio pública, ou seja, sobre os dados dispersos áreas abertas de sites públicos. Exatamente aquela informação que pode ser obtida por meio de sites de busca. "As pessoas podem não perceber, mas toda vez que clicarem no 'li e aceito', ao fornecer informações solicitadas, estão tornando públicos esses dados, e é neles que atuamos", explica.

O avanço da tecnologia impactou diretamente o empreendimento da economia digital criado por Rodrigues. Sete anos atrás, ele não teria condições de levar adiante seu projeto, pois necessitaria de cerca de R$ 1 milhão apenas para adquirir mil servidores. Atualmente suas buscas automatizadas chegam a demandar o processamento conjunto de até 10 mil servidores. "Hoje estamos tocando o negócio sem comprar nenhum equipamento. Fazemos tudo na nuvem e alugamos os equipamentos da Amazon, que corresponde a 40% do nosso custo", conta.

Diferencial

Segundo ele, a diferença entre o serviço prestado pela BigData Corp. e pelos concorrentes, tanto nas informações para facilitar os clientes na prospecção comercial como, no caso do mercado financeiro, para fazer uma análise de crédito mais segura, é a amplitude da aplicação dos dados levantados.

"A diferença é como ligar para uma pizzaria e pedir uma pizza pronta ou receber os ingredientes para fazer a pizza", exemplifica Rodrigues. "Nós vendemos informações mais brutas, das quais a empresa pode tirar várias aplicações, exigindo mais maturidade e inteligência, porém o resultado é mais abrangente", completa o CEO. "Em geral, nós fazemos a etapa anterior de uma Serasa Experian."

Rodrigues explica que o nível de detalhamento é outro destaque desse nicho de negócio. "O contracheque do sujeito é de R$ 2 mil, mas com a venda de artesanato ou brigadeiros consegue R$ 5 mil, então a renda é de R$ 7 mil. Descobrimos um jovem desenvolvedor de software que triplicou sua renda formal com pequenas doações obtidas em apoio ao seu projeto. Abriu uma conta nos Estados Unidos e gastou o dinheiro a partir de lá".

Com capital brasileiro, a BigData Corp. foi fundada em 2013, está sediada no Rio de Janeiro e planeja um escritório na cidade de São Paulo. Com 37 colaboradores, a empresa cresce ao ritmo de 60% ao ano, devendo fechar 2017 com um faturamento de R$ 16 milhões.