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O Bradesco arrematou ontem por R$ 700 milhões, em leilão realizado na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o controle do Banco do Estado do Ceará (BEC). O volume é referente à aquisição de 82,5 milhões de ações ordinárias do banco estatal. O Bradesco passa a deter agora 89,17% do capital total do BEC e 89,35% do capital votante.O Bradesco superou no leilão viva-voz, depois de dez ofertas, o último lance dado pelo banco GE Capital , de R$ 665 milhões (leia box ao lado). Os outros dois concorrentes na disputa, Itaú e Unibanco , não fizeram propostas. O ágio sobre o valor mínimo, estipulado pelo Banco Central em R$ 542,72 milhões, foi de 28,89%.Do total pago, R$ 66,5 milhões em dinheiro irão para o estado do Ceará. O restante, R$ 633,5 milhões, serão utilizados para abater a dívida cearense com a União, explicou o diretor de liquidação e desestatização do Banco Central (BC), Antônio Gustavo do Vale.Para o diretor do Bradesco, Sérgio Oliveira, o valor pago foi justo, segundo a avaliação baseada no valor patrimonial do banco e em múltiplos internacionais. "No Brasil, em geral, se paga cerca de duas vezes o valor patrimonial", avaliou o diretor.Contas do estadoO BEC possui 70 agências, que somadas às 29 do Bradesco acessarão 70 dos 185 municípios do Ceará. Com 99 agências, o Bradesco passa a ter 26,7% da rede do estado. O banco levará ainda uma carteira de 281 mil clientes, incluindo as 117 mil contas de funcionários públicos que recebem pelo BEC. O Bradesco já tinha 588 mil clientes no Ceará."A conta do funcionalismo é um dos atrativos", lembrou Oliveira. Esse foi justamente o motivo da suspensão do leilão diversas vezes por liminares judiciais em torno da administração das contas do governo pelo comprador do banco estatal. A última liminar foi derrubada ontem, possibilitando o leilão. "Não há risco jurídico", afirmou o diretor do BC.O diretor do Bradesco fez questão de enfatizar que não deve haver demissão de funcionários. O banco já tem 419 empregados no estado e agora passa a ter 1.282. "O BEC é um banco enxuto, trabalhando a pleno vapor. Não temos planos de fechar agências nem de mexer no número de funcionários", afirmou.A carteira de crédito do BEC é de R$ 285 milhões, sendo 97% de empréstimos para pessoas físicas, afirma o atual presidente do banco, Carlos Alberto Ribeiro da Silva. Segundo ele, a inadimplência total pulou de 1,25% para 2,3% devido a um "acidente de percursos" com a prefeitura de Fortaleza, "já resolvido", lembra.O BEC tinha ainda um déficit no fundo de previdência que será coberto pelo fundo de contingência, deixando o banco "com o fundo 100% sanado segundo os critérios atuariais", explicou o diretor do Banco Central.Restam dois bancosO banco GE Capital, vencido no leilão, é um dos maiores grupos financeiro do mundo, com US$ 150 bilhões em ativos. No Brasil, possuem 125 lojas de crédito pessoal. Segundo nota oficial divulgada após o evento, o banco afirma que "mantém o interesse em expandir seus negócios no Brasil e na América Latina".O texto diz ainda que "estão entusiasmados em relação às perspectivas de crescimento" e que continuaram a buscar e avaliar novas oportunidades para expandir os negócios "nesse importante mercado estratégico", em referência ao Brasil.O programa de desestatização conduzido pelo BC teve inicio em 1999, com a federalização de quatro bancos. O primeiro deles a ser leiloado foi o Banco do Estado do Maranhão (BEM), também adquirido pelo Bradesco em fevereiro de 2004 por R$ 78 milhões.Restam agora mais duas instituições, Banco do Estado do Piauí e Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). De acordo com o diretor do BC, nenhum dos dois deve ocorrer em 2006, porque o processo demora mais de um ano.