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A Celulose Nipo-Brasileira S.A. (Cenibra) e a Suzano Papel e Celulose elevaram pela terceira vez, este ano, os preços internacionais da celulose de eucalipto de fibra curta. De acordo com Rogerio Ziviani, diretor de negócios internacionais da Suzano, a partir do dia 1º de abril a celulose da empresa será vendida a US$ 570 a tonelada para a Ásia, com reajuste de US$ 30 a tonelada. Para Europa e América do Norte, o aumento será de US$ 20. O novo preço será de US$ 635 a tonelada para a América do Norte e de US$ 600 a tonelada para a Europa. A Cenibra vai trabalhar com estes mesmos preços internacionais a partir do próximo mês, segundo Túlio Cesar Reis Gomes, superintendente comercial da empresa.Ziviani afirma que o aumento da demanda, principalmente da China, é o principal fator que determina o novo reajuste nos preços internacionais da celulose. "A demanda asiática permaneceu aquecida em março e isto nos animou para um novo aumento no preço, já que eram solicitados volumes muito superiores ao que poderíamos atender". Além disso, o executivo diz que está havendo um crescimento na demanda de papel nos Estados Unidos, o que já fez com que as fábricas norte-americanas aumentassem seus preços.Segundo Ziviani, os estoques mundiais de celulose permanecem caindo neste ano e chegaram a bater algo entre 28 e 31 dias de produção em janeiro e fevereiro. Ele indica que o estoque brasileiro de celulose caiu 13% no primeiro bimestre do ano, ao passo que os fabricantes nacionais de celulose tiveram incremento de 8% nas exportações, 14% nas vendas domésticas e 2% na produção total no período, em comparação com os dois primeiros meses do ano passado.Para Gomes, da Cenibra, o aumento permanente da demanda internacional e a baixa oferta de celulose são as alavancas dos reajustes no preço. "Um furacão no início do ano na Suécia, um dos maiores produtores mundiais de celulose, derrubou 80 milhões de metros cúbicos de madeira no País. Para aproveitar com prioridade esta madeira, produtora de celulose de fibra longa, a Suécia deixou de se dedicar à celulose de fibra curta. Um grande concorrente nosso no Chile, por problemas internos, deixou de produzir celulose por um mês, em uma parada não prevista da fábrica. Assim, a concorrência e a oferta diminuíram", explica.Gomes afirma que os preços internacionais de celulose chegaram a um "patamar razoável" e assume que não descarta "possíveis aumentos num futuro próximo desde que a demanda continue forte". Ele acrescenta que, no acumulado desde novembro, o preço internacional da celulose da Cenibra aumentou US$ 110 a tonelada para Europa e América do Norte e US$ 130 a tonelada para a Ásia, contando o aumento que entra em vigor em abril.A Votorantim Celulose e Papel (VCP), por enquanto, não tem aumento anunciado no preço internacional da celulose. A empresa afirma que está analisando o impacto das medidas anunciadas pelas outras fabricantes sobre o comportamento do mercado. O último aumento de preço internacional de celulose da VCP, que entrou em vigor em março, foi de US$ 30 a tonelada. Para Otávio Pontes, vice-presidente da Stora Enso para a divisão da América Latina, o impacto do aumento da celulose sobre o preço do papel é inevitável. "A celulose representa quase 50% do custo da fabricação de papel. Só evitamos o aumento porque o mercado continua ofertado", indica Pontes.A partir de abril, a Suzano reajusta seu preço de papel cut size para a América do Norte em US$ 65 a tonelada, atingindo US$ 1025 a tonelada de papel. Ziviani diz que além do cut size, o segmento de papéis para imprimir e escrever também tem tendência de aumento no preço. "Toda a linha de papel branco deve sofrer reajustes também no mercado interno". Segundo Ziviani, no primeiro bimestre de 2005 houve aumento de 2% na produção nacional de papel para imprimir e escrever em relação a igual período do ano passado. A queda de 4% nas vendas internas do segmento nos dois primeiros meses de 2005 em comparação ao primeiro bimestre de 2004 foi compensada por um aumento nas exportações de imprimir e escrever de 4% em janeiro e fevereiro deste ano."No caso do cut size, foi verificado aumento de 3% na demanda doméstica no primeiro bimestre de 2005. As exportações do segmento cresceram 14% em janeiro e fevereiro e a produção nacional de cut size foi 6% maior nos dois primeiros meses de 2005. Estes valores resultam da comparação com igual período de 2004".