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São Paulo - A retração no comércio de residenciais novos em São Paulo, que só no primeiro semestre chegou a 25% sobre um ano antes, parece não ser o fundo do poço para as construtoras. Com imóveis em estoque acabando, a previsão é terminar o ano com queda de 15% nos negócios ante 2015.

"Hoje em dia, os imóveis negociados para venda estão em situação de estoque, o que permite as construtoras praticarem descontos e conseguir fechar a compra", afirmou o consultor do mercado e CEO da imobiliária Ressonance, Júlio Costa e Silva.

O problema desse tipo de negócio, explica o executivo, é que a oferta é limitada aos imóveis construídos e não comercializados, o que deve acabar nos próximos meses. "Como as construtoras não estão lançando muito, não temos nem a perspectiva de que os estoques voltem a subir nos próximos meses", afirmou.

Segundo um estudo do FipeZap, 76,6% dos imóveis comprados nos últimos meses tiveram descontos. O resultado de junho foi o 16º mês seguido que o percentual de compras com desconto aumentou.

O levantamento mostra ainda que o desconto médio recebido por compradores de imóveis continua subindo. Em junho, o percentual médio de desconto recebido em compras realizadas nos últimos 12 meses foi para 9,4% - um aumento em relação aos 9,2% registrados em maio e os 6,7% em junho de 2015.

Mercado fraco

De acordo com a Pesquisa do Mercado Imobiliário, realizada pelo Departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP, em junho foram vendidas 2.097 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo. O volume é 98% superior ao total vendido em maio (1.059 unidades). Porém, comparativamente às 2.588 unidades vendidas no mês de junho de 2015, o resultado foi 19% menor. No primeiro semestre do ano, foram vendidas 7.194 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo, volume 25,5% inferior quando comparado com o total de 9.658 unidades comercializadas no mesmo período de 2015. "Projetamos mais um ano de retração na cidade de São Paulo, com redução de 20% a 25% nos lançamentos [17 mil a 18 mil unidades] em 2016, comparativamente às 23 mil unidades lançadas em 2015, e queda em torno de 15% nas vendas, encerrando o ano com 16 mil a 17 mil", o presidente do Sindicato, Flavio Amary.

De acordo com dados da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), a cidade de São Paulo registrou um total de 2.178 unidades residenciais lançadas no mês de junho, volume 86,8% superior ao de maio (1.166 unidades) e 4,1% superior ao mesmo mês de 2015 (2.092 unidades).

Nos primeiros seis meses de 2016, os lançamentos totalizaram 5.731 unidades residenciais na capital, o que representou queda de 42,8% em relação a igual período de 2015. Segundo o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci um dos fatores que ajudaram no desempenho foram os lançamentos de unidades em faixas de preços e regiões economicamente mais acessíveis: 81% dos lançamentos na faixa de preço até R$ 500 mil e 58,6% na zona leste.