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Um dos maiores desafios do Brasil em todas as instâncias governamentais é a saúde. Também, pudera, somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes com sistema público de saúde que possui a obrigação de disponibilizar atendimento gratuito para 100% da população.

Ainda atuamos com uma dicotomia orçamentária: 53% do dinheiro gasto com saúde vêm do sistema privado, que atende a 25% da população do País. 47% dos investimentos são realizados pelo sistema público, que atende a 75% da população.

Quando pensamos no aumento e envelhecimento da população, pensamos: como teremos hospitais suficientes? Profissionais de saúde suficientes para atender a população? E verbas?

Não há dúvida de que a tecnologia é um aliado-chave nesta difícil equação. Os Sistemas de Informação permitem monitorar e aperfeiçoar performance pelas equipes assistenciais. Aumentam a eficiência, otimizam o uso de recursos, desestressam o sistema, melhoram a qualidade da informação que chega aos profissionais, orientam e engajam pacientes e ajudam na prevenção.

Com a modernização tecnológica, é possível transformar o sistema de saúde. A estratégia e-SUS Atenção Básica traz o Prontuário Eletrônico do Cidadão (PEC) – ou seja, o registro dos atos de cuidado e o acompanhamento da saúde dos usuários do serviço – para os profissionais e organização da agenda da equipe. Para que funcione a contento, o PEC precisa de um amparo estrutural com as Unidades Básicas de Saúde (UBS), de estrutura de informatização (computadores) e conectividade mínima (internet).

Com sistemas integrados e equipes treinadas, os pacientes da atenção básica podem ter 80% dos seus problemas resolvidos com qualidade, sem ir ao hospital.

Já o sistema de saúde melhora a qualidade do atendimento pelo uso adequado dos recursos disponíveis e reduz custos, podendo atender mais pessoas de forma melhor.

Mas o prontuário eletrônico sem informação baseada em evidências é uma base administrativa e não ajuda as equipes a melhorarem o atendimento e a resolverem os problemas da UBS.

A forma mais inteligente e segura de garantir qualidade, eficiência e menor custo é por intermédio do acompanhamento de toda a jornada do paciente - um ciclo que envolve prevenção, diagnóstico, tratamento e cuidados em casa. Para cada uma destas etapas, existe uma necessidade específica de informações de suporte baseado em evidências.

O prontuário eletrônico deve ser acompanhado sempre das informações para apoio a decisão clínica. São elas que guiam os profissionais de saúde e pacientes em todas as etapas da jornada do paciente.

O Brasil já tem disponível todas as informações para as etapas da Jornada do Paciente, basta apenas a conscientização e a ação para implanta-la por completo nos sistemas de saúde. Quanto mais rápido for implementado, poderemos todos contar com os resultados.

Cláudia Toledo é diretora da área de clinical solutions da Elsevier Brasil

c.toledo@elsevier.com