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Enquanto os projetos de infraestrutura no País passam por um período mais arrefecido, a Concremat Engenharia e Tecnologia aposta em suas operações internacionais para crescer. Os negócios, que até o final do ano passado representavam cerca de 4% da receita da empresa, já atingiu 10% no primeiro semestre de 2018 e pode chegar a 20% nos próximos cinco anos.

De acordo com o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Concremat, Eduardo Viegas, a projeção de crescimento da empresa para este ano é de 5%, mas a tendência é que o desempenho do segmento internacional fique bem superior a isso.

Segundo ele, a desaceleração dos aportes em infraestrutura no Brasil, somada à necessidade de empresas de engenharia consultiva mais experientes nos países vizinhos trouxeram boas oportunidades para a Concremat, nos últimos dois anos. “Inclusive, vemos companhias espanholas e francesas também presentes”, acrescenta.

Atualmente, a empresa é responsável pela supervisão da construção da barragem de Monte Grande, na República Dominicana. Os serviços foram contratados pelo Instituto Nacional de Recursos Hídricos (INDRHI, na sigla em espanhol). Na Bolívia, a companhia presta serviços em dois ativos na área rodoviária. Em uma das estradas coordena as obras de engenharia para revitalização e na outra faz supervisão de obras de reabilitação. Os serviços são financiados pelo Banco Internacional de Desenvolvimento (BID).

Já entre as licitações em curso, a empresa participa de processos na Bolívia para a área rodoviária. Além do projeto da Linha 3 do Metrô do Panamá, primeiro projeto da Concremat no país. “Também há duas grandes licitações na Argentina que esperamos vencer, uma de saneamento na Colômbia e outros projetos menores no Peru”, diz o diretor da área internacional da Concremat, Eduardo Miana.

De acordo com Miana, o ambiente macroeconômico da maioria das nações em que empresa atua está favorável. “Hoje vemos países em um ritmo de crescimento forte, com taxas de 5% e 6%, em alguns casos até 10%. O Paraguai, por exemplo, está ativo, o Peru retomando. Na Colômbia alguns projetos estavam travados, mas acabou de passar por eleições e deve retomar”, analisa.

Um desafio citado por ele nos últimos anos, foi a situação das grandes empreiteiras no Brasil que acabou afetando o crescimento internacional e consequentemente reduziu sua demanda de serviços de engenharia, que nos anos anteriores passaram por processos de internacionalização junto às empreiteiras.

Essa situação, no entanto, não diminuiu os planos de crescimento da empresa no exterior, mas criou um descontentamento em alguns mercados. “O sentimento de frustração em alguns países foi forte e isso refletiu em nós que somos brasileiros, mas sempre tentamos mostrar a diferença de uma construtora de uma empresa de engenharia consultiva”, comenta.

Outros desafios da internacionalização são o idioma do país e o custo da operação.

Potencial nacional

“Há uma demanda reprimida [no Brasil] e passado o período eleitoral haverá muitas oportunidades”, comenta Viegas.

Nos últimos dois ou três anos, ele comenta que a empresa conseguiu manter o volume de contratos e conseguiu repor os que encerraram no período, mas a expectativa é que no segundo semestre do ano que vem o volume de projetos volte a aumentar. “No primeiro semestre, o novo presidente deve implantar o plano de governo e focar nas reformas, mas no segundo semestre veremos projetos e em 2020 esperamos bastante aumento em infraestrutura”, explica.

Na área de infraestrutura, que concentra os projetos mais robustos, os grandes focos da empresa serão nas áreas de portos e ferrovias. “Até pela atuação dos nossos controladores”, diz. Em 2017, a Concremat Engenharia e Tecnologia passou a fazer parte do grupo China Communications Construction Company (CCCC).

A empresa hoje realiza projetos de engenharia em todos os segmentos, inclusive na área de edificações, mas a atuação é mais focada em logística, energia e saneamento.