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São Paulo - Com resultado negativo no primeiro trimestre de 2017, o mercado de condomínios logísticos paulista ainda deve ver meses difíceis pela frente. Mesmo longe de recuperar patamares anteriores à crise, a previsão da consultoria Colliers é que o setor possa fechar o ano com resultados levemente superiores a 2016, devido à redução de lançamentos.

De acordo com o último relatório da Colliers International Brasil, o mercado de condomínios logísticos de alto padrão no estado teve absorção líquida (a relação entre espaços alugados e devolvidos) negativa de 22 mil metros quadrados (m²) nos três primeiros meses do ano. Ou seja, as devoluções foram superiores à contração de espaços. Atualmente, o resultado da região representa 62% do mercado nacional.

Para a vice-presidente da Colliers, Paula Casarini, no segundo trimestre é possível que o mercado ainda possa ter uma pequena diminuição de preços e mantenha níveis de absorção apertados. "Mas para o segundo semestre a nossa estimativa é que a busca por locação seja melhor que no primeiro semestre - como ocorreu em 2016 - e o mercado encerre com uma absorção um pouco melhor que a do ano passado", diz.

Segundo a executiva, ainda é cedo para prever o fechamento do mercado, mas se o comportamento for igual ao de 2016, a absorção líquida deve encerrar em uma média de 200 mil m², próximo ao resultado do ano passado que foi de 196 mil m². Mesmo assim, essa taxa do setor deve ficar em patamares próximos a 30%. Hoje, o patamar médio considerado confortável - quando não beneficia o proprietário ou o inquilino - gira em torno de 9% e 12%.

Momento atual

"Mas esta é uma previsão momentânea. É preciso esperar um pouco mais para saber. Às vezes o mercado pode reagir melhor do que esperamos", complementa o gerente da área de logística da Colliers, Eduardo Gabriel. Por ora, o único aspecto positivo mais seguro é que um volume menor de inventário será lançado.

De acordo com a consultoria, até o final do ano serão entregues entre 380 mil m² e 420 mil m² de condomínios logísticos, sendo que 25 mil m² já foram colocados no mercado no primeiro trimestre do ano. Atualmente, o mercado está com um total de 7,822 milhões de metros quadrados de inventário. "Se o volume de entregas ficar neste patamar vai ajudar", enfatiza Gabriel, da Colliers. No acumulado de 2016, o estado de São Paulo teve um acréscimo de inventário de cerca de 650 mil metros.

Regiões promissoras

Ainda de acordo com o levantamento da Colliers, as cidades de Jundiaí e Campinas foram as que apresentaram melhores resultados na absorção líquida durante o primeiro trimestre, de 25 mil metros quadrados (m²) e 14 mil m², respectivamente. Na outra ponta, Guarulhos (-35 mil m²), Cajamar (-14 mil m²) e Piracicaba (-17 mil m²) foram as cidades com menores resultados.

Para Eduardo Gabriel, da Colliers, a diferença de resultado entre as regiões tem relação com a velocidade de reação dos proprietários na flexibilização comercial. "Jundiaí e Campinas foram resultado das adequações mais rápidas. Já Guarulhos e Cajamar, por exemplo, onde os preços pedidos e realizados eram maiores perderam muito espaço", diz.

No primeiro trimestre de 2017, o preço médio de locação ficou em R$ 19 m²/mês - o mesmo da média de 2016. Em 2015, este indicador estava em R$ 20 m²/mês.

A tendência é que a estratégia de flexibilizar a negociação comercial nos condomínios logísticos se mantenha para 2017. "Percebemos isso sendo feito de forma mais criativa. Antes era só a entrada antecipada e hoje se fala de entrada antecipada e carência", conclui o executivo da Colliers.