Publicado em

(Reuters) - O conselho da Tesla disse que estava avaliando fechar o capital da montadora, um dia após o presidente-executivo, Elon Musk, surpreender acionistas com a ideia de lançar a maior aquisição alavancada de todos os tempos.

Em declaração no site da montadora nesta quarta-feira, seis dos nove diretores da Tesla disseram que o conselho se reuniu várias vezes na última semana para discutir tal proposta e estava "tomando as próximas medidas apropriadas para avaliar a questão".

Na terça-feira, Musk disse no Twitter que considerava fechar o capital da montadora de carros elétricos a 420 dólares por ação, o que avaliaria a empresa em mais de 70 bilhões de dólares. O executivo disse ainda que o financiamento estava "garantido", sem elaborar.

A Tesla informou nesta quarta-feira que as discussões do conselho abordaram a questão sobre como financiar tal acordo, mas não deu detalhes. A declaração não esclareceu se o preço de 420 dólares por ação foi estabelecido.

Vários advogados de valores mobiliários disseram à Reuters que Musk poderia enfrentar ações judiciais de investidores se fosse provado que ele não tinha o financiamento garantido no momento de seu tuíte.

Alguns analistas de Wall Street se mostraram céticos em relação à capacidade de Musk de reunir o enorme suporte financeiro para concluir tal acordo, uma vez que a Tesla perde dinheiro, tem 10,9 bilhões de dólares em dívidas e seus títulos são considerados "junk" por agências de classificação de risco.

"Quem doaria 30 bilhões a 50 bilhões de dólares para recomprar as ações?", questionou Frank Schwope, analista do NordLB. "E se você ficar como acionista, terá menos informações do que antes e dependerá cada vez mais de Elon Musk."

O acordo seria a maior aquisição alavancada de todos os tempos, batendo o recorde de 45 bilhões de dólares estabelecido pela concessionária de energia do Texas, a Energy Future Holdings.

Os parceiros mais óbvios para Musk seriam o fundo soberano da Arábia Saudita, que fontes dizem ter uma participação abaixo de 5 por cento na montadora, ou um grande fundo de investimento em tecnologia como o do SoftBank, o Vision Fund, segundo banqueiros.

A chinesa Tencent Holdings, que assumiu uma fatia de 5 por cento da Tesla no ano passado, também pode ser uma possível parceira.

(Por Supantha Mukherjee, Arjun Panchadar, Liana Baker, Carl O'Donnell, Ross Kerber e Ben Klayman)