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SÃO PAULO - Manter a ordem durante a Copa do Mundo - que começa em pouco mais de três meses - será um desafio para o governo federal, mas uma excelente oportunidade de negócios para empresas de tecnologia. Com gastos médios de R$ 244 milhões, o consórcio Brasil Seguro, que reúne Módulo, Comtex, Agora Telecom e Unisys é quem fornecerá inovação para a segurança no evento.



As empresas acompanharam o processo de licitação promovido pela Secretaria Extraordinária de Segurança para Grandes Eventos (Sesge), que está construindo 14 Centros Integrados de Comando e Controle (CICC) distribuídos pelas 12 cidades-sede do torneio. Os mais de R$ 240 milhões abocanhados pelas empresas serão usados no desenvolvimento da arquitetura de segurança pública para a Copa.



De acordo com Luiz Gasperin, gerente de projetos da líder do consórcio Módulo, a companhia será responsável pela interligação dos dados entre todos os CICCs. "A Módulo vai entregar um produto chamado Sistema Integrador. Estamos customizando-o, para que suporte todos esses centros. Nosso produto vai ser a interface de visualização de todos estes dados", revela.



Os centros vão funcionar como uma instalação física, que traz diversas frentes - polícia, agentes de trânsito, hospitais e bombeiros, por exemplo - trabalhando em sintonia. "É um avanço em termos tecnológicos e processuais. Queremos que essas instituições funcionem efetivamente de forma integrada", diz.



Cada cidade-sede terá um CICC regional. Também existirá um centro nacional localizado em Brasília, que vai consolidar todas as informações, e um outro no Rio de Janeiro, criado exclusivamente para ser uma opção caso haja algum problema na capital federal. "A parte tecnológica dos dois centros de Brasília já foi entregue e testada. Estamos concluindo, em média, um centro por semana. O ritmo continua forte e acreditamos que em março nossa parte no Consórcio estará concluída", conta Daniele Ribeiro, vice-presidente de vendas da Unisys Brasil, empresa responsável por toda a infraestrutura de TI e soluções de software.



Um dos itens exigidos pela Sesge no edital vencido pelo Consórcio Brasil Seguro é o da disponibilização de 2.400 tablets para uso remoto das autoridades. Ao todo, serão 200 dispositivos por cidade-sede. Todas as informações colhidas pelos aparelhos estarão automaticamente sincronizadas com os CICCs. "É um tablet para uso corporativo e militar. Segue normas norte-americanas de resistência a quedas e choques. Também sofreu alterações na configuração da parte operacional", falou Vail Gomes, diretor de soluções de radiocomunicação da Agora Telecom, responsável pela distribuição dos tablets.



Além de fornecer os tablets, a Agora Telecom também cuida de diversos outros elementos que envolvem os CICCs: infraestrutura dos data centers, rede Wi-Fi, telefonia e videoconferência, que está interligada em todos os centros. "Além de tudo isso, estamos oferecendo a gestão da rede de radiocomunicação dos CICCs."



Para Sergio Nercessiam, CEO da Comtex, responsável pelas soluções de videomonitoramento no consórcio, a experiência anterior da empresa em projetos similares - como o COR (Centro de Operações Rio) - é fator importante. "Temos ainda a vantagem de conhecer bem o nosso país e principalmente as capitais, pois a maioria já foi fruto de estudos e muitas delas já contam com algum de nossos parceiros fornecendo algum serviço", analisa.



Legado



As empresas que fazem parte do consórcio acreditam que a iniciativa da criação dos CICCs vai gerar um legado importante para o País. "O acordo com o Consórcio se encerra no dia 1º de setembro. A partir daí, todos os centros serão transferidos para os estados. Neste ponto fica o legado. Os estados poderão usar esses CICCs da melhor maneira possível", conta Daniele Ribeiro, VP da Unisys.