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As construtoras brasileiras que apostaram nas obras dentro do bojo do Minha Casa Minha Vida conseguiram atravessar a recessão econômica com mais facilidade. Apoiada em preços menores e aberturas para financiamento, empresas menores lutaram em pé de igualdade com as gigantes, e sairão da crise fortalecidas.

Isso pode ser visto no último ranking do ITC, consultoria que mapeia as maiores construtoras por área construída. Em 2012, as seis maiores incorporadoras eram MRV (6,8 milhões de metros em área construída); Gafisa (4,8 milhões); Brookfield (4,4 milhões) Direcional (3,1 milhões); Even (3,1 milhões) e Cyrela (2,9 milhões).

Cinco anos depois, apenas MRV e Direcional mantiveram o protagonismo nesse segmento. A mineira MRV segue no topo da lista, mas a metragem construída caiu 9,3%, somando 6,1 milhões em 2017. A Direcional, por sua vez, passou da 4ª colocação em 2012 para a segunda em 2017, com 5,4 milhões.

“A crise atingiu em cheio as grandes construtoras por conta do alto endividamento. Em 2012 muitas delas abriram capital e obtiveram recursos financiados para sustentar uma demanda crescente e ávida por imóveis. O problema é que a demanda caiu antes de serem amortizados esses aportes, e isso derrubou muito empresas como JHSF, Rossi, PDG e outras”, diz o especialista em construção e ex-membro do Sinduscon-SP, César Augusto Pedretti Filho.

Boa parte das grandes empresas sumiu do ranking do ITC 2017. Gafisa, Brookfield, Even, Rossi não são citadas no ranking que engloba as 100 maiores construtoras. Na outra ponta, empresas como a Plano & Plano, Toledo Ferrari e Bild Desenvolvimento Imobiliário são exemplos de empresas que ficaram entre as seis maiores.

Sai um, entra outro

O que é ruim para as grandes companhias vira oportunidades para as médias. A construtora Pacaembu, por exemplo, não figurava no ranking das 100 maiores em 2012, mas alcançou a terceira colocação em 2017. Com 2,7 milhões de metros de área construída, o vice-presidente de Operações da Pacaembu Construtora, Victor Almeida, conta que esse crescimento se dá como parte de um longo processo estratégico, que envolveu maior foco em construções econômicas.

“A mudança [no quadro geral do ITC] decorre do fato de que, enquanto as incorporadoras com produtos destinados às famílias de média-alta renda enfrentaram um duplo revés – com o agravamento das condições econômicas e impacto negativo da falta de regulamentação do distrato –, as construtoras que atuam com imóveis econômicos encontraram um mercado mais resiliente”, detalha.

Otimista com 2018, o executivo ressalta que a Pacaembu somou Valor Geral de Vendas de R$ 847,7 milhões em 2017. “Agora temos como meta VGV 20% maior ao alcançado em 2017”, afirma ele, ressaltando que, por mais que os preços dos insumos sigam pressionando as obras, ainda é cedo para falar em ajuste de preços.

Correndo por fora

Paralelamente, a paranaense Valor Real Construções tem um plano ambicioso, que passa pelos imóveis do Minha Casa, Minha Vida. A meta é lançar 2,6 mil novos imóveis dentro do programa até 2020. Ainda em 2018, serão 600 unidades, contra 300 lançadas em 2017. “Em 2019 e 2020, a nossa meta é lançar, pelo menos, mil unidades por ano. A empresa já tem estoque de terrenos, volume suficiente para suportar o ciclo de lançamentos, além das negociações em andamento que nos permitirão cumprir todas as metas”, disse o diretor da Valor Real Construções, Marcelo Lage.

Para acompanhar esse plano, Lage conta que a empresa investiu cerca de R$ 25 milhões para entrar na cidade de Pinhais. “Estamos lançando quatro empreendimentos em Pinhais ainda em 2018. Todos enquadrados no Programa Minha Casa Minha Vida, totalizando cerca de 250 unidades residenciais na cidade”, disse ele, ressaltando que o próximo passo é ir além do Paraná.

Para garantir as vendas, ele explica que a empresa tem investido em projetos mais elaborados, ainda que fiquem dentro do programa Minha Casa Minha Vida. “Entre os itens que incluímos nos projetos estão sacada com churrasqueira, duas vagas de garagem, piscina e elevador. Tal decisão agrega valor para quem busca um imóvel nessa faixa de custo na região”, explica.

Os ativos mais elaborados também são a aposta da construtora Danpris. Este ano a empresa entrega o Terraço Quitaúna, que se encaixa no Minha Casa Minha Vida e traz como diferencial um terraço gourmet e estrutura completa de lazer nas áreas comuns. “Contabilizamos 85% de unidades vendidas”, conta o CEO da empresa, Dante Seferian.

O executivo também se mostra otimista com as vendas neste ano, projetando incremento de 50%. “Neste ano vamos lançar 1.500 unidades. A venda de residências prontas remanescentes também estão 50% melhor na comparação com o último ano e estamos retomando a contratação de mão de obra”, comemora.