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Após entrar no mercado brasileiro através da compra da Nitere, a italiana Custom já traça planos ambiciosos. A meta é que, em cinco anos, a atividade brasileira fique entre as maiores da companhia, movimento que se apoiará em negócios com pequenas e médias empresas.

Para este ano – já operando no Brasil por meio da aquisição de 75% da mineira Nitere por US$ 6 milhões – a Custom pretende faturar US$ 170 milhões. “Com essa nova iniciativa no Brasil, planejamos em um ano recuperar o valor investido e, posteriormente, pensar em ampliar nossa margem de receita. Não fizemos isso apenas visando faturamento, mas acreditando no potencial de crescimento econômico do País”, diz o CEO da empresa italiana, Carlo Stradi.

Segundo ele, a operação no Brasil tem como objetivo usar o “know-how de mercado” da Nitere para ampliar o portfólio e desenvolver novos produtos de automação para o pequeno e médio varejo. Para isso, os italianos mantiveram a atual equipe administrativa do negócio, apostando em equipamentos voltados à emissão de cupons fiscais eletrônicos e softwares de gestão comercial.

“Dentro de cinco anos, o Brasil será um dos nossos principais mercados. Especificamente no estado de São Paulo há potencial para crescermos na área fiscal do comércio, como por exemplo por meio do Sistema Autenticador e Transmissor de Cupons Fiscais Eletrônicos (CFe-SAT)”, antecipa.

A estratégia de mercado ganhou força após aprovação da lei estadual de São Paulo 6.374, em 06/04/2016 estabelecer que todo comerciante com receita bruta acima de R$ 120 mil deverá substituir a emissão da Nota Fiscal de Venda ao Consumidor pelo CFe-SAT.

Ainda de acordo com Stradi, o foco em pequenos negócios trará maior escalabilidade para as operações da empresa, pois o ganho se concentra no volume, e não só na margem. Porém, tendo em vista que a capacidade produtiva da Nitere será ampliada, o desafio é absorver a oscilação do dólar.

“Não temos como resolver diretamente o problema da flutuação cambial, mas trabalhamos para diminuir os custos de produção local e amenizar os efeitos dessa variação de preço nas importações que vem, em sua maioria, da Índia e China”, disse Stradi.

Segundo ele, a Custom investe 10% do faturamento em inovação e agora adota como estratégia de expansão a aquisição de novas empresas.

E é com essas compras em mercados estratégicos que a empresa pretende elevar em 19% sua receita até 2020, chegando a US$ 209 milhões. No caso específico da Nitere, no Brasil, a expectativa de ampliação no portfólio é de 50%, “com a possibilidade de reforçar a presença da empresa em países na América do Sul, como a Argentina”, antecipa.

Outra aposta da empresa para o mercado global, incluindo o Brasil, é o mercado de luxo. Com a compra da italiana Bizeta há cerca de três anos, a empresa ganhou expertise no desenvolvimento de software de vendas online para o varejo de moda de luxo. A companhia atuava no mercado brasileiro, mas com o início da crise, viu a diminuição da presença de seus clientes, como Salvatore Ferragamo, Fendi, Prada e Bvlgari.

“Hoje, com os sinais da recuperação da economia brasileira, recebemos notificações, como da Fendi e Bvlgari, para o desenvolvimento de outros projetos de software em novas unidades dessas marcas no Brasil até o ano que vem”, informou o gerente de vendas para o varejo da Custom, Andrea Pedrazzi. /O jornalista viajou à Itália a convite da Custom.