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No momento em que o mercado imobiliário mira com mais atenção o segmento das classes C e D, outras companhias ainda mantêm o interesse na área de imóveis de médio-alto e alto padrão, como a incorporadora imobiliária Cyrela e a PDG Realty, apoiadas na expectativa de crescimento de 15% do setor em 2008.

Além disso, segundo a Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), a Grande São Paulo tem representado com maior fidelidade o boom imobiliário dos últimos anos. A região recebeu o maior número de lançamentos desde 1990, foram 564 empreendimentos anunciados. Somados, esses imóveis têm potencial para gerar US$ 9,6 bilhões de valor geral de vendas (VGV).

A Cyrela é uma das que pretendem explorar esse potencial da capital paulista e contou, com exclusividade ao DCI, que vai lançar em São Paulo cinco empreendimentos residenciais neste mês, com VGV total de R$ 508,5 milhões. Quatro desses são voltados para a fatia mais abonada da população, e a empresa promete mais cinco projetos à alta classe até o meio do ano.

A PDG, por sua vez, comprou a Adolpho Lindenberg, uma das mais tradicionais empresas do segmento de luxo. A aquisição foi feita pela subsidiária da PDG, a Lindencorp.

A Cyrela utilizou algumas parcerias para anunciar os empreendimentos prometidos para este mês. No caso do Soberano Parque Ipiranga, a companhia firmou parceria com a construtora MAC para erguer as duas torres de112 unidades no bairro do Ipiranga, na capital paulista. O lançamento será feito depois de amanhã e o VGV é de R$ 90 milhões.

No caso do Praça das Águas, que será construído no bairro do Tatuapé, a parceira da Cyrela é a Lúcio Engenharia e o projeto inclui quatro torres residenciais, totalizando 288 unidades e apartamentos de até 242 m². O VGV total está em torno de R$ 150 milhões. "A Cyrela, na região metropolitana da capital paulista, continuará crescendo fortemente. Nossa intenção é incrementar em 15% os negócios na região", contou o diretor-geral da Cyrela de São Paulo, Ubirajara Spessotto.

A companhia também antecipou o lançamento de três outros empreendimentos na capital, ainda em abril. O Place Royale, no bairro de Perdizes, terá VGV de R$ 130 milhões. O Pódio Vila Leopoldina, no bairro de mesmo nome, terá 400 unidades e VGV de R$ 130 milhões. O único projeto previsto para este mês que foge da aposta da Cyrela é o Fiori Hortênsia, na Vila Ema, que tem apartamentos de 65 m², ou seja, de médio padrão, e VGV de R$ 25,5 milhões.

Para 2008, a meta da companhia é atingir R$ 7 bilhões. No ano passado, os lançamentos somaram R$ 5,4 bilhões, incluindo as joint ventures. Destes, cerca de R$ 3,65 bilhões, divididos por 39 empreendimentos, foram relativos aos segmentos de médio-alto padrão e de luxo - quase 65% do total. A empresa registrou lucro líquido de R$ 422,1 milhões, 74,2% superior aos R$ 242,3 milhões de 2006.

Aquisição

Outra grande do setor que também está apostando nesse segmento é a PDG Realty. Ela anunciou na última sexta-feira que a sua subsidiária Lindencorp, da qual detém 15,9%, comprou o controle acionário da construtora Adolpho Lindenberg, uma das maiores no segmento de luxo. O valor ficou em R$ 7,88 milhões, e dará à Lindencorp 88,28% do capital votante e 48% do capital total da Adolpho Lindenberg. Esse segmento, entretanto, não é o foco da PDG, que ampliou, em 2007, a atuação no mercado voltado às classes mais baixas da população, principalmente após aumentar a participação na Goldfarb e na CHL e a parceria com a Terrano Empreendimentos Imobiliários.

Segundo a PDG, a aquisição da Lindenberg dará à Lindencorp um complemento ao portfólio de produtos e fortalecerá seu posicionamento no mercado, em especial nos segmentos de médio-alto, alto e altíssimo padrão. Ano passado, apenas 15,4% dos lançamentos da companhia foram desses segmentos, enquanto 67,1% do VGV lançado destinaram-se ao segmento econômico e 14% ao de médio padrão.

Além dessa aquisição, a PDG anunciou no final do mês passado a parceria com a Habiarte Barc Construtores Associados, uma das maiores construtoras e incorporadoras de Ribeirão Preto. A estratégia reforça ainda mais a aposta da PGD nos segmentos de alta classe, especialidade da Habiarte. A parceria foi constituída para o desenvolvimento em conjunto de projetos imobiliários residenciais de média renda e comerciais, já iniciando com 4 projetos contratados cujo VGV (da PDG Realty) alcança R$ 140 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 100 milhões serão lançados ainda em 2008.

Entretanto, a empresa não revelou qual fatia pretende destinar aos projetos de alto nível, mas anunciou a revisão da meta de lançamentos de R$ 2,1 bilhões em VGV para até R$ 2,6 bilhões.