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BRASÍLIA - A dívida pública mobiliária apresentou um crescimento de 1,66% em agosto, atingindo o montante de R$ 1,319 trilhão. Apesar do crescimento maior em relação aos demais meses, o coordenador de Operações da Dívida Pública do Tesouro Nacional, Fernando Garrido, negou relação com a turbulência externa. "Não se tem observado maior ou menor demanda por títulos brasileiros e o Tesouro vai continuar com a sua política de emissões de acordo com as condições de mercado". Ele explicou que em momentos de maior volatilidade, é normal o mercado demandar mais títulos de prazo curto e menos títulos de prazos mais longos. "A administração é sempre pautada de acordo com as condições de mercado", disse Garrido, ponderando que não houve "mudança significativa" de estratégia. Segundo ele, a cautela adotada pelo Tesouro para a emissão de papéis é a mesma desde os primeiros sinais de turbulências. A estratégia, de emissões, portanto, está mantida. Em julho, a dívida mobiliária estava em R$ 1,297 trilhão. No mês passado a dívida mobiliária interna subiu 1,56%, para R$ 1,223 trilhão. A dívida externa em títulos somou R$ 96,3 bilhões, alta 3%. Do total da dívida mobiliária, 92,7% forma a parcela interna. O Plano Anual de Financiamento do Tesouro (PAF) prevê um intervalo entre R$ 1,36 trilhão e R$ 1,42 trilhão para a dívida mobiliária.

Segundo documento do Tesouro, o crescimento da dívida mobiliária em agosto está associado a uma emissão líquida de R$ 5,5 bilhões. No caso da dívida interna, houve emissão líquida de R$ 6,1 bilhões e, para a dívida externa o resgate líquido foi de R$ 600 milhões. A apropriação positiva de juros da dívida chegou a R$ 12,6 bilhões. O acréscimo na dívida externa, explica a nota, foi provocado pela desvalorização do real frente à moeda norte-americana. Garrido explicou ainda que diferentemente do ocorrido em julho, quando houve resgate líquido de R$ 59,4 bilhões, em agosto há concentração de pequenos vencimentos, por isso o valor menor, de R$ 5,5 bilhões. Nos meses chamados de cabeça de trimestre há forte concentração de vencimentos de papéis prefixados, o que acaba impactando positivamente a dívida. Em agosto o Tesouro emitiu R$ 20,8 bilhões em títulos públicos e resgatou R$ 15,3 bilhões.

Perfil

Dentro da nova composição de títulos públicos, a participação de títulos prefixados na dívida pública interna subiu em agosto para 31,45%, de 30,88% em julho. A parcela de dívida pós-fixada, atrelada à taxa Selic, ficou praticamente estável, oscilando de 36,82% para 36,89% de julho para agosto. Os papéis vinculados a índices de preços perderam espaço, recuando de 29,47% para 29,12% na mesma comparação. A dívida vinculada ao câmbio ficou praticamente estável, ao passar de 0,77% para 0,79%. A dívida ligada à Taxa Referencial (TR) caiu de 2,05% em julho para 1,74% em agosto. Se forem levadas em conta as operações de swap cambial, a posição credora do País em câmbio subiu de 2,07% no total da dívida em julho para 2,13% em agosto, o equivalente a R$ 26,04 bilhões. Já a parcela vinculada à Selic, após as operações de swap, aumentou de 39,66% em julho para 39,82% em agosto, o equivalente a R$ 487,04 bilhões.

Em relação à dívida externa, os títulos denominados em dólar são responsáveis por 72,32% do total. Destaca-se que o percentual vincendo acima de cinco anos representa 65,99% do estoque da dívida mobiliária externa.

O prazo médio de estoque da dívida mobiliária federal interna caiu de 41,33 meses em julho para 40,52 meses em agosto. Para a externa, o prazo médio caiu de 70,16 meses para 69,9 meses. Para a dívida total, o prazo médio cresceu para 42,66 meses em agosto.

Resgate

Ainda ontem o coordenador da dívida anunciou que o Tesouro Nacional recomprou, entre julho e agosto, em valor de face, R$ 300,9 milhões, ou US$ 188,7 milhões, em títulos da dívida externa. O total financeiro desembolsado atingiu R$ 394,2 milhões, ou US$ 247,2 milhões. De acordo com Garrido, os papéis recomprados no período ainda não impactaram o estoque da dívida externa em agosto já que o processo de cancelamento não foi concluído. O total recomprado nos quatro primeiros bimestres, em valor de face, é de R$ 1,468 bilhão, ou US$ 869,3 milhões, com um desembolso financeiro de R$ 1,937 bilhão, ou US$ 1,146 bilhão. Considerando todas as recompras efetuadas no ano a redução no fluxo total de pagamento de juros, em valores correntes, é de R$ 18,5 bilhões, ou US$ 11,3 bilhões.