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De olho no crescimento da profissionalização dos consultórios de saúde, a espanhola Doctoralia, do grupo europeu DocPlanner, vai instalar novos escritórios no País. A meta é ampliar atuação, chegando até 460 mil médicos cadastrados e 70 milhões de usuários. O “marketplace” de saúde pretende oferecer novos serviços, como o prontuário eletrônico.

Ao final do ano passado, a companhia possuía cerca de 400 mil médicos em sua base de dados e somava cinco milhões de usuários, os números representam mais que o dobro dos observados em sua sede, na Espanha. (Veja mais no gráfico)

“Temos obtido resultados surpreendentes no Brasil. Está superando as expectativas”, disse o diretor da Doctoralia no Brasil, Carlos Lopes. Tanto que, no ano passado, a companhia inaugurou seu primeiro escritório no País, em Curitiba, e já planeja seu novo espaço na mesma cidade. “Também queremos escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador que podem ser abertos este ano.”

O maior desafio agora é aumentar o percentual de médicos credenciados pagantes. “Hoje chega a 1,5% dos cadastrados e a meta para este ano é dobrar”, diz.

Considerada um marketplace da saúde, a plataforma também ajuda na gestão do paciente e amplia a presença online do médico. Entre seus serviços estão agendamento de consultas na internet, criação de ambientes web para os profissionais e um espaço de perguntas e respostas para pacientes. “Com a plataforma o médico pode se concentrar no que ele foi preparado para fazer. Queremos ser um hub de saúde para pacientes e doutores”, destaca o executivo.

De acordo com ele, a tendência é que as funcionalidades aumentem cada vez mais. “Temos equipes no Brasil e em Barcelona dedicadas na ampliação do produto. O grande ganho para nós é que tudo o que surgir lá fora vamos trazer o mais rápido possível”, diz.

Entre os serviços que devem ser ampliados estão as campanhas de marketing digital e a construção da reputação online dos profissionais, a partir das avaliações dos pacientes. “Uma coisa que estamos testando é a possibilidade de fazer marketing digital com os pacientes. O médico, por exemplo, comprou um equipamento e quer focar em um procedimento. Ele pode construir uma campanha e ver quantos receberam, clicaram e se engajaram”, coloca.

Um plano de longo prazo que pode ser explorado pela empresa, por exemplo, é a oferta de serviços da DocPlanner. “As plataformas [globais] vão se fundir e vamos ter um passo importante no último trimestre”, destaca.

De acordo com ele, fora do Brasil, por exemplo, o grupo possui parcerias com instituições seguradoras e serviços de agendamento relacionados ao segmento, além de soluções de prontuário eletrônico. “Também possuímos um software customizado para grandes clínicas, que é o nosso produto empresarial. Aqui no Brasil temos algumas particularidades, mas estudaremos as oportunidades”, explica.

O produto empresarial, para clínicas e hospitais, também está sendo desenhado no Brasil. “Estamos fazendo modelos de contratos e desenvolvendo uma plataforma para atender grandes clínicas e hospitais. É algo que queremos aproveitar ainda em 2018”, diz.

Além disso, a empresa estuda outras frentes de negociação com empresas satélites do mercado de saúde, como a área farmacêutica. Por ora, a empresa não cogita explorar o mercado de operadoras de planos de saúde.

Como no Brasil não existe uma regulamentação de uso dos dados pessoais, a companhia utiliza como referência as métricas da lei europeia.

Além do Brasil, Argentina, Colômbia e Chile estão na mira da Doctoralia. O investimento anunciado em 2017 para o desenvolvimento do mercado latino foi de 18 milhões de euros.

Um desafio para o crescimento acelerado da companhia, de acordo com ele, é o desenvolvimento das lideranças. “Temos uma política interna de trazer a liderança de dentro. Quando você é pequeno é mais fácil, mas quando pensa em 100 ou 200 posições o esforço é maior”, coloca.

Hoje a empresa tem mais de 101 funcionários, em outubro de 2017 a companhia possuía 30 pessoas. “Calculávamos 150 até o final do ano. Agora revimos para 160”, conclui.