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Uma tecnologia inédita no País, que consiste no aprimoramento de matérias-primas usadas na produção de porcelanas de alta qualidade foi desenvolvida pela Dynamis , empresa incubada do Centro Incubador de Empresas de Tecnologia (Cietec) da Universidade de São Paulo (USP). Há apenas um ano na incubadora, a empresa já fechou parcerias com as indústrias de porcelana Teixeira , e de cosméticos Natura . Nos próximos meses, irá lançar uma linha formada por 30 peças inéditas. E já está se preparando para iniciar as exportações ao mercado europeu a partir do ano que vem.A Dynamis iniciou suas atividades em 1996 como importadora de matérias-primas para porcelana, quando a moeda nacional equivalia ao dólar. No entanto, já em 1998, houve a desvalorização do real e a "empresa quase quebrou", conta Ricardo Castro, um dos sócios da empresa. "Tornou-se inviável a importação dos produtos. A empresa resolveu, então, desenvolver uma tecnologia nacional inédita no Brasil, que pudesse ser competitiva em relação ao mercado internacional", diz Castro.A fundadora da Dynamis, Nilzziette de Melo Rodrigues, explica que toda matéria-prima usada pela indústria brasileira de porcelana era importada."Importávamos desde barbotina líquida, esmaltes e massa plástica, mas com a alta do dólar deixávamos de ter um preço competitivo e perdíamos cada vez mais mercado. Diante da situação, resolvemos partir para a produção nacional", explica a empresária.O primeiro passo foi fechar uma parceria com departamento de engenharia metalúrgica e de materiais da Escola Politécnica da USP. Os três pesquisadores envolvidos no estudo mais tarde tornaram-se sócios da Dynamis. Após alguns meses de pesquisa, a empresa passou a integrar o Cietec, que oferece apoio tecnológico, administrativo e de infra-estrutura."Já desenvolvemos cerca de 40 tipos de massas de argila inéditas no País, além de esmaltes para porcelana, que custam mais de 50% a menos que os importados", diz o pesquisador.Castro conta que apesar de o Brasil ser rico em jazidas, é preciso que a matéria-prima seja beneficiada para atingir uma qualidade equivalente à importada. "Investimos mais de R$ 20 mil para o desenvolvimento de uma tecnologia de beneficiamento. Hoje, podemos dizer que a porcelana produzida por nós, se não for igual, é superior à importada, principalmente tratando-se de porcelana branca", diz Castro.Após o desenvolvimento dos novos materiais, Castro conta que a Dynamis precisava produzir as peças mas não tinha capital para investir em maquinário. Os sócios procuraram a fabricante de porcelana Teixeira, localizada em São Caetano do Sul, e fecharam uma parceria. A Dynamis iria fornecer a tecnologia e a Teixeira disponibilizaria o maquinário para a produção. "Nos próximos três meses iremos lançar uma linha Dynamis Teixeira, formada por cerca de 30 peças tanto utilitárias quanto ornamentais, com design exclusivo", diz o pesquisador.Outra parceria significativa aconteceu em 2002, quando a Dynamis realizou um trabalho para a Natura, em parceria com a Cores da Terra , que consistiu na venda de esmalte para aplicação de um réchaud de cerâmica vendido pela empresa de cosméticos como dica de presente de final de ano. E em junho, será lançada uma embalagem de perfumes de porcelana feita sob medida para a Natura, com design e materiais próprios da Dynamis.