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A produção de embalagens especiais de maior valor agregado já atende cerca de 30% do mercado de alimentos e deve crescer 15% neste ano, três vezes mais do a previsão para os produtos commodities.O segmento não foi afetado pelo desaquecimento da economia registrada no primeiro semestre deste ano, que levou a Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) a reduzir de 10% para 5% a perspectiva de crescimento do setor neste ano. "O fracionamento de produtos alimentícios em porções menores e individuais e a substituição outros materiais como latas está puxando o crescimento de embalagens especiais", diz Rogério Mani, presidente da Abief. Ele afirma que a sofisticação exigida pelos clientes em produtos mais caros, mas de melhor performance, está aumentando o mercado de produtos especiais.De acordo com Geraldo Cofcewicz, gerente de embalagens da Perdigão , para alcançar objetivos como redução de volumes e atender a pressão de custos as resinas plásticas são os materiais mais competitivos. "Entre 1996 e 2001 o crescimento do auto-serviço foi muito grande, mas principalmente em embalagens de papel cartão. O que observamos hoje no mercado brasileiro é a crescente utilização do plástico nesse segmento, substituindo o papel cartão em embalagens de alto valor", afirma.Atualmente cerca de dois terços do mercado de alimentos é composto por produtos de preço mais acessível e mais de 30% por alimentos de alto valor agregado. "Nos produtos para consumidores de baixa renda o plástico já possui presença muito grande. Agora, observamos o crescimento do material em produtos diferenciados", diz Cofcewicz.O executivo afirma que a embalagem representa, em média, de 6% a 8% do custo de um produto, mas que esse custo é avaliado pelo tipo de solução oferecida. "Pode ser um produto de material mais caro, mas que te oferece uma solução mais barata". De acordo com Mani, o valor da embalagem é maior do que apenas seu custo, porque ela ajuda a vender o produto. "O custo de 6% a 8 % significa muito pouco em relação ao produto final porque a embalagem também tem a função de vender. Uma embalagem mal concebida simplesmente não vende".A venda de embalagens de maior valor agregado é o que está garantindo a manutenção do faturamento da Incoplast , fabricante catarinense que atende clientes como Perdigão, Sadia , produtores de ração para animais e produtos de higiene pessoal. Segundo Rogério Manuele, gerente industrial da unidade da companhia em Santa Catarina, o mercado de embalagens commodities caiu no primeiro semestre do ano, mas a venda de produtos especiais não foi afetada. "Com isso, o resultado financeiro da empresa se mantém empatado com o do ano anterior, por conta do valor maior das embalagens especiais", diz.A Incoplast tem capacidade para produzir 2,4 mil toneladas de embalagens por mês, mas, segundo Miguele, está operando com capacidade ociosa por conta da queda dos commodities. "A unidade de Santa Catarina, que tem capacidade para 1,2 mil toneladas ao mês, operou no primeiro semestre com produção entre 800 e 900 toneladas mensais", afirma.Entre as principais categorias de embalagens plásticas que estão ganhando espaço no mercado está a stand-up pouch, embalagem que possui uma base que a sustenta em pé na prateleira, utilizada na indústria de alimentos, cosméticos e higiene pessoal. As retort pouch são concebidas para que o alimento possa ser cozido ou preparado ainda dentro da própria embalagem. Outra inovação são as embalagens com válvulas degaseificadoras, que retiram o oxigênio de dentro do recipiente, evitando oxidação prematura do produto. "Essas são tendências do mercado e cada vez mais os fabricantes de embalagens procuram desenvolver, em conjunto com seus fornecedores, resinas especiais para produzir embalagens especiais", afirma Mani.Segundo Cofcewicz, o plástico permite o desenvolvimento de outras propriedades exigidas pela indústria alimentícia como resistência a perfuração, e barreiras contra gases, luz e odores, essencial principalmente para produtos resfriados. "Atualmente existe uma demanda muito grande por produtos resfriados, embora o varejo também cobre maior shelf life dos produtos".A procura por produtos de melhor performance pelos consumidores de embalagens já ocorre de forma intensa no mercado brasileiro, mas, de acordo com Miguele, as empresas estão cautelosas para investir por conta da atual situação do mercado e do momento político do País. "Os clientes buscam coisas inovadoras e desenvolvimento de embalagens diferenciadas, mas estão todos ainda em compasso de espera e analisando a situação para dar um passo mais seguro. Acredito que no final do ano, quando a situação política e outras questões de mercado, como a taxa de juros, estiverem mais favoráveis, os investimentos devem se tornar realidade", diz.Em 2004 o setor de embalagens flexíveis - que tem 50% dos seus negócios no setor alimentício - cresceu 10% e atingiu faturamento de US$ 2,9 bilhões, pouco menos de 30% de todo segmento de transformação de plástico, que obteve receita de US$ 10,09 bilhões, de acordo com dados da Abief e da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast).