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SÃO PAULO - A Base2, empresa de Belo Horizonte especializada em testes de software, acrescentou ao seu modelo de negócio a modalidade de crowdsourcing - utilização do conhecimento coletivo para solucionar problemas comuns - e criou um projeto paralelo, o Crowdtest. O serviço utiliza profissionais autônomos que atuam remotamente e testam pela internet sistemas on-line de empresas, como sites e aplicativos, para corrigir eventuais erros. 



O Crowdtest sugiu em abril de 2011 como um braço da Base2, que já existe desde 2005. A nova área reúne em sua plataforma um catálogo de testadores, que são escolhidos e direcionados para os trabalhos pela própria empresa no momento da solicitação dos clientes.



Ao entrar no site, o cliente apresenta o problema a ser inspecionado. Após contratar o serviço, passa informações mais detalhadas para que os técnicos tenham acesso ao seu sistema.



O serviço tem dois modelos. O primeiro, chamado de 'pay-per-bug', consiste na busca por falhas dentro de uma determinada aplicação, como erros de interface e de segurança. O cliente, ao acessar o site, faz uma solicitação à empresa, especificando qual programa quer que seja analisado. O Crowdtest seleciona uma equipe para realizar o trabalho, que acontece em um intervalo de até duas semanas, e permite um acompanhamento do registro dos problemas, além de contato direto com o cliente. O valor do serviço varia de acordo com a quantidade e o tamanho dos bugs (erros) encontrados. Caso nenhuma falha seja detectada, o cliente não tem nenhum gasto.



Já no 'pay-per-test', uma equipe é direcionada para fazer testes de desempenho nas aplicações, como, por exemplo, se um site vai suportar o acesso de muitos usuários ao mesmo tempo. Neste caso, um valor é fechado antes da realização do serviço, e também varia de acordo com a complexidade e o tempo necessário para a tarefa.



Nos dois modelos, o Crowdtest fica com uma porcentagem do valor pago.



De acordo com o sócio fundador Robert Pereira, a Base2 tinha dificuldades para ganhar escala no seu modelo de negócio, e o crowdsourcing foi a solução encontrada para resolver isso. "A Base2 tem hoje 30 pessoas trabalhando dentro da empresa e, agora, mais de 10 mil espalhadas pela internet", diz.



Para se tornar um dos técnicos do projeto, não é necessário passar por um processo seletivo. "Nós trabalhamos de forma muito aberta hoje. Qualquer pessoa pode se cadastrar e estará listada como testadora. Entretanto, caso apresente baixo desempenho, ela não é mais chamada na hora de montarmos as equipes", explica Pereira.



Instalado na sede da Base2, o Crowdtest tem como principais clientes empresas que queiram realizar testes de maneira mais rápida que no modelo convencional e com um volume maior de pessoas. A empresa não divulga o faturamento.



Na visão de Pereira, o maior desafio de seu negócio é a falta de conhecimento das pessoas em relação à existência do modelo, e, em segundo plano, a confiabilidade. "Quando digo para alguém que pessoas na internet que eu nem conheço vão utilizar seu sistema, isso gera uma desconfiança", analisa.